The Lady of Rivers e The kingmakers daughter

Trinta e pouco dias de ferias e dois livros de Phillipa Gregory

Passei as ferias na Europa e a minha mais valiosa aquisicao – dentre roupas, perfumes e bugigangas – foi “The kingmaker’s daughter” (ainda sem traducao para o portugues), ultimo livro publicado de Phillipa Gregory. Esta e a historia de Anne Neville, Rainha da Inglaterra na epoca de Eduardo III, ultimo principe de York. Nao ha palavras na gastronomia (beber, engolir, devorar) para descrever como foi a leitura desse livro. Foi rapido e dolososo. Aqueles livros que voce nao consegue parar mas sabe que devia, porque voce vai ficar muito triste quando acabar. E assim foi. Grande, grande tristeza ao virar a ultima pagina.

“The Kingmaker’s daughter” e, em minha opiniao, o segundo melhor livro da serie “A guerra dos primos”, perdendo apenas para “A Rainha Branca”.  Li também nestas ferias “The lady of Rivers” (tambem ainda sem traducao) que quebra a linha cronologica da serie voltando ao passado para contar, atraves de Jacqueta Rivers (mae de Elizabeth Woodvile, a “Rainha Branca”) a historia de Margareth D’ Anjou, a “Rainha ma” e o seu Rei Dorminhoco, Henrique VI.

Philippa Gregory nao esta escrevendo uma serie. Acho que esta escrevendo algo mais parecido com uma novela. “A Rainha Branca”, “A Rainha Vermelha” e “The kingmakers daughter” sao recortes do mesmo periodo – O Reinado de Eduardo IV – com a unica diferenca do “Point of view”: Sao tres nucleos diferentes da mesma historia. Acho que a BBC acertou em cheio em reproduzir a serie para a TV, em uma especie de novo “The Tudors”. Vai ser um estrondoso sucesso.

A rivalidade para alem do bem e do mal

(ATENCAO! SPOILER! Se voce nao leu “A Rainha Branca”, “The Kingmakers Daughter” e “The lady of Rivers” nao siga adiante)

“The Kingmaker’s Daughter” teve o importante apelo comercial de ser o novo “The other boleyn girl”, a nova historia de Phillipa Gregory sobre duas irmas. Mas a genialidade do livro esta na transformacao de Elizabeth Woodville, a grande heroina desta serie e a “favorita” declarada da propria autora, na grande vila desta historia. Acontece que Anne Neville e sua irma, Isabel, sao mulheres de seu tempo, sujeitas as intrigas da corte, as supersticoes da epoca e ao vies politico em que se encontravam. Foram rivais de Elizabeth Woodville em vida e filhas do homem que fazia Reis e que por sucessivas vezes tentou faze-las Rainhas. O livro e realmente brilhante. Phillipa favorece suas heroinas sem julgamentos morais, a la “preto e branco”. Seres humanos sao complicados e a autora explora as contradicoes com eximia habilidade.

A viagem

Estive em Londres, Genebra e Paris nestas ferias e foi muito emocionante visitar o tumulo de Anne Neville na Abadia de Westminster, um achado ocasional, haja vista que poucas sao as pedras da Abadia que nao encerram a ultima morada de alguem. Fico pensando inclusive em porque a Realeza Britanica se casa em meio a tantos cadaveres! Saint Paul e uma catedral belissima, sem duvida bem mais adequada para as bodas de um casal promissor. Mas tradicao e tradicao. E  se tem algo de que a monarquia nao pode abrir mao e da tradicao.

Mas voltando a Anne Neville e aos mortos da Inglaterra, vi outros tumulos muito legais em Westminster: Vi, Sua Alteza, a Mae do Rei, Margaret Beaufort, nossa “Rainha Vermelha”. Vi “A outra Rainha”, Mary Stuart – The Queen of Scots, lado a lado com sua prima e assassina, Elizabeth Primeira – A Rainha Virgem. Vi o tumulo conjunto de Henrique VII e Elizabeth de York, uniao que deve ter desagradado a Rainha na morte tanto quanto desagradou em vida. Mas de longe, o que mais me arrepiou todos os cabelinhos do braco foi ver na Torre de Londres o “Portao dos Traidores”. Quantas pessoas de barquinho ja nao cruzaram aqueles portoes em direcao a morte no cadafalso? E realmente de arrepiar. Nunca vou esquecer da visao do “Traitor’s Gate”, aquelas duas palavras aterrorizadoras pairando sobre as margens do Tamisa. Sera que um dia aqueles portoes serao reabertos? Sera que o fim da Monarquia Britanica passara por estas margens? Ou sera que o que lhes espera sera apenas o patetico e mais provavel caminho do esquecimento, uma vida destituida entre os comuns?

Concluindo: Leia as coisas na sequencia

Mas isso so se voce ja ama Phillipa Gregory. Porque se voce nao ama, acho que talvez seja mais interessante para voce pular “The Lady of Rivers” e jogar “A Rainha Vermelha” para depois de “The kingmaker’s daughter”.  “A Rainha Branca” e a historia de Anne Neville podem perfeitamente serem lidas em sequencia. Faz todo o sentido do mundo. Claro que as escolhas sequenciais da autora tambem fazem muito sentido. Por exemplo, a (ficticia) admiracao de Margaret Beufort for Joana D’Arc (para quem acendi uma vela na Catedral de Notre Dame, em Paris 🙂 ) e bastante desenrolada na trama de “The Lady of Rivers”, haja vista que Joana D’Arc esteve presa em Borgonha e foi contemporanea da juventude de Jacqueta Rivers. O medo que as meninas Warwick, heroinas de “The kingmakers Daughter”, tem da “Rainha ma”, Margaret D’Anjou, e tambem trabalhado em “The lady of Rivers”. Entao a historia de Jacqueta Rivers nao e meramente uma quebra cronologica na historia, para satisfazer o interesse pessoal da autora na personagem negligenciada pela historia dos “homens”. O livro e tambem uma forma de amarrar uma serie de crencas e relacoes interpessoais  entre os diferente nucleos dessa emocionante “novela” que esta sendo escrita.

A Princesa Branca

(ATENCAO! SPOILER! Se voce nao leu “A Rainha Branca” nao siga adiante)

Nao sei como vai ser “A princesa branca”, mas sei como gostaria que fosse: narrado ao estilo de “A heranca de Ana Bolena” e “A outra Rainha”, por multiplos pontos de vista. Acho que Elizabeth de York e Margaret Beaufort seriam narradoras naturais dessa historia que promete encerrar a saga dos Principes da Torre. Elizabeth Woodville morreu em 1492, entao nao acho que ela tenha tido tempo de participar do drama do Retorno do Duque de York, Richard. Mas veremos. Quem sabe o proprio Richard possa ser um POV dessa historia? A julgar pelo trabalho da autora com George Talbot, Earl of Shrewsbury em “A outra Rainha”, acho que ela esta mais do que apta para dar voz a personagem masculina do pretendente ao trono.

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3 respostas a The Lady of Rivers e The kingmakers daughter

  1. Olá! Achei esse post em uma pesquisa sobre o livro “The Kingmaker’s Daughter” no Google e fiquei encantada com sua opinião não apenas sobre o livro, mas sobre toda a série da Guerra dos Primos. Sou fã dos livros da Philippa e acabei de ler “The White Queen”. Mal posso esperar para ler os outros volumes desta “novela”. Obrigada pelas sugestões na ordem de leitura 😉

    P.S: Adorei saber sobre a sua viagem – pretendo viajar para Londres em breve e já pretendo “visitar” alguns desses túmulos famosos.

  2. dsoares08 diz:

    Oi Jaqueline! Fico feliz que tenha aproveitado a postagem, Estou contando os dias para o lançamento do último livro da série. Se você der sorte, quem sabe você não compra ele em primeira mão quando for a Londres? Um abração!

  3. Pingback: Arquitetura funerária da Grécia Antiga ao século XIX e suas influências nos cemitérios cariocas | Rach Machado

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