Livro – Marilyn Monroe

Marilyn Monroe

Anne Plantagenet, Estados Unidos, 2011

_ Há alguém falsificando os números ou o quê?
_ Não, chefe. Tudo que chega diariamente pelo correio é para falar de Miss Monroe.
_ Então podem contratar essa menina – resigna-se Zanuck.
_ Já fizemos isso e já mandamos embora – objetou alguém.
_ Pois que seja recontratada! – berra o patrão – E ponham-na o primeiro filme que precisar de uma loura.

Sinopse: Biografia de Marilyn Monroe, narrada desde o seu nascimento como Norma Jean, uma menina pobre, sem família e sem futuro, até a sua morte como uma das maiores estrelas de todos os tempos.

A autora: Estou lendo uma série de livros sobre a Guerra das Duas Rosas e quando vi o nome “Anne Plantagenet” na prateleira tive que pegar para ver o que era. Foi assim que eu achei esse livro: Me interessei pelo nome da autora. Comecei a folhear o livro, li o primeiro parágrafo, li o segundo, quando vi estava saindo da loja com o livro na mão (e em 48h já estava virando a última página). Lamentavelmente, não achei quase nada sobre a autora internet. Descobri que ela nasceu em 1972, na Burgundia (Borgonha) o que, somado ao seu nome, me leva a imaginar que sim, ela tem algum tipo de ascendência real. Caso alguém tenha interesse, aqui está a referência mais completa sobre ela.

Crítica:Olha, eu, particularmente, nunca dei a mínima pra Marilyn Monroe. Dela, eu só sabia o que todo mundo sabe: Que era atriz, que era loira, que foi amante do Kenedy e que uma vez deixou um recado inusitado, escrito na própria barriga, antes de se submeter a uma cirurgia. Se algum dia assisti a algum de seus filmes, foi no corujão, sem ter a menor ideia do que estava assistindo. Então realmente, o mérito desse livro é todo da sua autora, Anne Plantagenet, que, além de ter um nome interessante o bastante para me fazer tirar o livro da estante (a despeito do título), escreve maravilhosamente bem. O texto parece o de um romance, o que é bom tanto para quem não liga muito pra Marilyn Monroe, quanto para quem torce o nariz para biografias. O texto é realmente nota dez. Qualquer outro livro que eu achar da Anne Plantagenet será prontamente comprado e lido.

Curiosidades: Uma das coisas que mais me chamou a atenção neste livro é que uma das maiores atrizes de todos os tempos, um ícone, uma estrela, uma lenda, um símbolo da era de ouro de Hollywood,  nem era tão boa atriz assim. Pois é. Grande parte da carreira de Marilyn foi dedicada à pontas em comédias fracas, onde a atriz se eternizava no papel da secretária peituda e em todas as outras variações que o estereótipo “loira burra” pudesse lhe proporcionar. A situação muda um pouco de figura quando Marilyn vai viver em Nova York e monta sua própria produtora, cansada da teimosia do chefão da FOX, que nunca lhe deu o devido valor. Ainda assim, embora seu destaque aumente e melhores papéis lhe sejam oferecidos, muitos dos filmes que virão nessa segunda fase continuarão a ser filmes fracos. Não é a toa, por exemplo, que Marilyn nunca foi indicada ao Oscar. Mas, apesar de destacar o quão fracos são seus filmes, a autora não deixa passar em branco a “magica” que Marilyn era capaz de fazer diante das câmeras. Sua beleza e carisma só podiam tê-la levado ao estrelato mesmo. Quando estava em cena, só o que as pessoas conseguiam ver era ela.

Marilyn e os Médicos: Marilyn era bipolar e passou pela mão de muitos terapeutas. Alguns deles foram Anna Freud, sexta filha de Freud com sua mulher Marta, e o Dr. Ralph Greenson, um psicanalista famoso por seu trabalho com o stress pós-traumático em soldados que lutaram na Segunda Guerra Mundial. A relação do Dr. Greenson com a atriz parece bastante anti-ética e negligente no livro, ainda mais se considerando que o Dr. Greenson era o psiquiatra de Marilyn à época do seu suicídio. Em dado momento o médico – que incentivou a atriz a comprar uma casa vizinha a sua e que a recebe seguidamente para almoçar e jantar com sua família – chega a ler roteiros e apontar quais filmes Marilyn deveria fazer ou não! 

“Meu coração é do papai”: Quando Marilyn era garota, gostava de fantasiar que Clark Gable era seu pai. Isto porque a mãe – que nunca lhe disse quem era seu pai de verdade – ostentava uma bela foto do ator em sua penteadeira. Ironia do destino ou não, o último filme da vida de ambos será “Os desajustados”, onde eles contracenam juntos, como par romântico. Se tem um filme da Marilyn que me deu vontade de assistir depois de ler esse livro foi esse. Isto porquê o roteiro foi escrito pelo marido da atriz, o escritor “comunista” Arthur Miller, inspirado na personalidade da própria atriz – o que a levou inclusive a se recursar inúmeras vezes a fazer o papel de Roslyn Taber, por lembrar-lhe demasiadamente de si mesma – e porque todos estavam em frangalhos durante as gravações deste filme: Clark Gable estava com 59 anos e bebia whysky sem parar, mal conseguindo não tremer diante das câmeras. Marilyn, por sua vez, teve que usar peruca e quilos de maquiagem durante as filmagens para disfarçar o seu esgotamento físico e mental, após ter emendado sua atuação em “Adorável pecadora” com as gravações de “Os desajustados”. Além do mais, a atriz tentou suicídio – mais uma vez – bem nessa época. Sabendo desses detalhes de bastidor, deve ser muito interessante ver o resultado final da obra que, segundo o livro, Marilyn detestou.

Os irmãos Kenedy: Uma crítica ao livro é que ele aborda muito pouco a relação mais famosa de Marilyn: Seu affair com os irmãos Kenedy. Aliás, taí outra coisa que eu aprendi no livro também – Marilyn traçou os dois, o Presidente JFK e o irmão, Robert Kenedy, então Ministro da Justiça. Mas o livro não é omisso nesse aspecto. Ele conta coisas. Eu que esperava mais nesse aspecto em particular.

LP&M – Os 50 anos da morte de Marilyn: Para finalizar este longo post, quase tão longo quanto o livro, que é um pocket bem curtinho, disponibilizo aqui o link para um texto do escritor gaúcho Luiz Antônio de Assis Brasil, sobre os 50 anos da morte de Marilyn que irão se completar no ano que vem. Deixo também um link para o blog da editora LP&M com uma entrevista legendada de 1min30seg da atriz. Vale a pena! E uma adição de última hora: Vídeo de Marilyn Monroe cantando “Happy Birthday Mr. Presidente” pro Kenedy. Nesse dia ela chega atrasada como sempre – aparentemente depois de ter tomado todas – e é apresentada pelo locutor como “The Late Marilyn Monroe”. A partir desse momento, lhe restavam apenas três meses para viver.

Gostou? Então leia também:

Vídeo de Marilyn Monroe fazendo sexo oral é vendido por R$ 2,6 milhões (2008) – Será que era o Kenedy? 

Trecho do livro “Marilyn e JFK” – para cobrir as lacunas deixadas pela biografia da LP&M 

O excelente blog da LP&M – Sempre com boas novidades

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Uma resposta a Livro – Marilyn Monroe

  1. They were just talking about how Marilyn Monroe is a cliché of beauty on TV ,therefore I don’t understand the whole “yougottabeskinny” trend

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