Livro – A Outra Rainha

A Outra Rainha

Philippa Gregory, Inglaterra, 2008

Sinopse: Neste livro, Philippa Gregory conta a história da Rainha da Escócia, Mary Stuart, em seus primeiros anos de prisão domiciliar na Inglaterra, durante o reinado de sua prima, Elizabeth I. Mary Stuart, Rainha Católica e implicada na herança dos tronos da Escócia, França e Inglaterra, se vê obrigada a deixar seu país, após uma revolta de lordes escoceses. Na Inglaterra, é recebida por George Talbot, o Conde de Shrewsbury, e sua esposa, Bess of Hardwick, uma mulher independente e perspicaz, com valores muito diferentes dos de seu marido e da nova Rainha. Estes três personagens logo se verão envolvidos em uma complicada rede de conspiração e intriga que dividirá a Inglaterra entre duas das mulheres mais poderosas de seu tempo.

A autora: Já li diversos livros de Philippa Gregory, mas sempre convém apresentá-la. Trata-se de uma das melhores escritoras de romance histórico que eu conheço, com sete livros publicados, só sobre a Era Tudor. Sua obra consagradora foi “The other boleyn girl” (em Português, sob o péssimo título de “A irmã de Ana Bolena”), que deu origem ao filme estrelado por Eric Bana, Scarlet Johannson e Natalie Portman, “A outra”. O filme, que é bom, é bastante (mas olha, bastante MESMO) inferior ao livro. Então imaginem… 

Recentemente, a autora está empenhada em um projeto sobre os Plantagenetas. Já foram lançados dois livros, “A Rainha Branca” e “A Rainha Vermelha”, todos já disponíveis em inglês, mas sem tradução ainda. A nova série se passa em meio à Guerra das Duas Rosas, ou a “Guerra dos primos”, como é mais conhecida na Inglaterra. Para quem só lê na lígua mater, vi na Saraiva que “Terra Virgem”, uma obra ambientada no século XVII foi lançada em Português. Eu ainda não li, mas sempre vale a pena conferir. Para quem quiser saber mais sobre Philippa Gregory e seus livros, super recomendo o site da oficial da autora: http://www.philippagregory.com/ 

Crítica: Excelente. Mais um livro de grande nível. Da Era Tudor, consigo criticar seis, das sete obras. Eu li cinco delas: “A princesa leal”, “A irmã de Ana Bolena”, “A Herança de Ana Bolena”, “O Bobo da Rainha” e “A Outra Rainha”. “O amante da virgem” eu parei de ler na metade, o livro realmente não me pegou (e eu estava em época de provas também, o que sempre pesa). Eu acho que os únicos desses seis que deixaram a desejar são “A Princesa Leal” e “O amante da virgem”. E por quê? Simples: Terceira Pessoa não é o forte da autora. Todos os outros são em primeira pessoa e todos são muito bons, inclusive os que são narrados em primeira pessoa, mas sob mais de um ponto de vista, como é o caso de “A Herança de Ana Bolena” e “A outra rainha”. Do “Amante da Virgem”, eu também havia ficado com a má impressão de que a autora não era boa narrando a perspectiva masculina, mas ao ler “A outra rainha”, que é narrado conjuntamente pelo Lord Shrewsbury, pela Rainha Mary e por Bess Hardwick, corrigi minha avaliação. A ótica de George Talbot é muito interessante e faz toda a diferença na obra. 

Curiosidades: A personagem de Bess Hardwick é realmente muito interessante. Existem quatro personagens femininas de Philippa que não são princesas ou Rainhas: Hannah, o bobo santo da Rainha Mary Tudor, Lady Rochford, cunhada de Ana Bolena, Maria Bolena, irmã de Ana Bolena e Bess Hardwick, esposa do Lord Shrewsbury. Hannah e Maria são personagens muito jovens e cativantes, românticas até, mas Bess Hardwick  e Lady Rochford são mulheres astutas e perspicazes. O que mais me impressionou em Bess Hardwick foi como a personagem incorpora aquela idéia do livro de Max Webber “A ética protestante e o espírito do capitalismo”. Bess Hardwick não teve berço. Foi casada diversas vezes e aprendeu a fazer fortuna. Quando se casou com Lord Shrewsbury, levou para sua nova casa uma herança invejável e pensou que estava fazendo um bom investimento. Deixaria a seus filhos propriedades e um bom nome, tudo que ela própria não teve quando criança. Bess Hardwick sabia o custo de cada litro de vinho consumido pela Rainha Mary e sua forma de encarar a vida se chocava frontalmente com os ideais de “nobreza” (e esbanjação) de seu marido, o Conde, um homem bem nascido que nunca se deu ao trabalho de contar o seu dinheiro. A Bess Hardwick do livro controlava ela própria os “cadernos” de finanças de cada uma das propriedades dos Talbot e sabia que nenhuma delas poderia dar prejuízo. Uma matemática simples que não entrava de forma alguma na cabeça de seu marido, a quem o mais importante era servir bem e com fartura, a todos os hóspedes, especialmente os ilustres. O interessante é que a autora diz que se baseou em uma biografia, escrita por Mary S. Lovell, para criar a sua Bess. Realmente esta deve ter sido uma personagem e tanto em vida!

Mais cinema: Após ler “A outra rainha”, reassisti um filme excelente sobre a Inglaterra Elizabetana, o “Elizabeth – The golden age”, com a Cate Blanchet. Excelente filme mesmo, não me lembrava de como era bom. Mais do que recomendado para quem quiser entrar no “clima” do livro. E sinceramente, não posso evitar o comentário, mas o que é o Clive Owen nesse filme? Senhor…

Bom, mas pulando o bronzeado do Clive Owen, logo no começo do filme vemos Mary (foto acima), a Rainha da Escócia, vivendo o final de sua história na inglaterra. Como é fato histórico, público e notório, não preciso omitir que Elizabeth manda executar sua prima, certo? Pois bem, no comecinho do filme Mary Stuart é decapitada. Não vou entrar em detalhes, mas isto deixa muita gente pela Europa descontente, e Elizabeth enfrenta uma das maiores crises de seu Reinado, mais uma causada por sua prima e prisioneira por décadas.

Encontrei na internet um trechinho sobre o último dia de Mary Stuart. Reproduzo pois é lindo, e se nada do que eu disse acima convence a ler o livro, acredito que isto convencerá. Lá vai: 

Mary Stuart (à dir.) no momento em que foi levada para a execução. Óleo sobre tela de Philippe Jacques Van Bree, século XIX

Amanhã não haverá alvorecer. Eu, ao menos, não vou ver o dia amanhecer. Foi o desejo de Deus que chegasse ao fim esse doloroso caminho que foi minha vida. A peregrinação termina por meio de um decreto no último dia 1 de fevereiro, com o selo real de minha prima, Elizabeth da Inglaterra. Esse fim varrerá tanto os sonhos não cumpridos quanto as traições não patentes e as repetidas humilhações. Deo gratias.

Mary Stuart, Queen of Scots

***

Gostou? Então leia também:

Livro – A Irmã de Ana Bolena

Livro – A Herança de Ana Bolena

Livro – A Princesa Leal 

Resenha de Phillipa Gregory sobre a Biografia de Bess of Hardick

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