Livro – Sheila Levine está morta e vivendo em Nova York

Sheila Levine está morta e vivendo em Nova York

Gail Parent, Estados Unidos, 1972

Sinopse: Este é um livro para deixar “O diário de Bridget Jones” comendo poeira. “O diabo veste prada” e “Sex and the city” então, nem se fala. Sheila Levine é uma jovem judia, solteira e rechonchuda, vivendo seus melhores anos na Nova York da década de 60. Sua mãe sempre disse que ela era a coisa mais linda do mundo, mas Sheila é bem mais esperta do que isso. Dona de um grande nariz (judeu!) e de calças manequim 44, Sheila passa seus dias no porão da Ohrbach´s, procurando medelitos que logo, logo não irão servir mais. Ao lado de sua fiél amiga Linda, mais alta, mais magra e mais bonita, Sheila tenta por longos dez anos encontrar o impossível: Um bom moço judeu, que a queira para sempre.

Não sem passar por muitas decepções, Sheila decide que um futuro de solidão é inaceitável e resolve, então, se matar. O motivo fica claro no elogio fúnebre que encomenda a um Rabino:

“Sheila Levine matou-se porque não havia homens o suficiente neste mundo. Não sofria de mau hálito, usava desodorante vaginal e tentou por dez anos, mas não conseguiu. Ninguém a quis para sempre. Sheila Levine morreu por nossos pecados.”

Decidida a abandonar este mundo cruél, Sheila começa a escrever seu logo bilhete de despedida, uma divertida história resgatada do baú quase quatro décadas depois. Um presente para todos que gostam do gênero.

O texto: Hilário. Daqueles de rir sozinha e as pessoas olharem para você, achando que você é maluca.

A autora: Gail Parent é uma bem-sucedida roteirista de Hollywood. Não sei se é judia, mas o tamanho de seu nariz me parece adequado. Talvez ela não tenha gostado do casaco de peles (piada interna para quem ler o livro hehehe).

Curiosidades: É simplesmente incrível como são poucos os detalhes que nos lembram que esta história se passa entre 1960 e 1970 e não nos dias atuais. Seria fácil retirá-los e dizer que o livro foi escrito ano passado, e não em 1972. Mas as diferenças são definitivamente o charme do livro. Existem alguns informações de “entre-linhas” muito interessantes sobre a vida sexual nos anos 60 e 70. A camisinha, por exemplo, é descrito como algo fora de moda (veja só!). Isto me chamou muito a atenção porque nós somos uma geração que cresceu com o incentivo do uso da camisinha, mas é fácil se lembrar de uma época em que a aceitação não era assim tão tranqüila. Eu lembro nitidamente de um episódio de “Barrados no Baile” (ou seja, coisa de quinze, vinte anos atrás) que mostrava o elenco distribuindo preservativos na escola (ou no campus da universidade, não sei em que pé andava a história) e a má aceitação pública das pessoas em relação ao seu uso. Então é engraçado você ler um  livro de quarenta anos atrás falando em camisinha como algo fora de moda. Mas isso tudo tem uma explicação. Primeiro, que existe camisinha desde os antigos gregos, feitas, na época, com bexiga de peixe. Conta-se que um modelo especial, feito com tripas de animais, foi desenvolvida para o Rei Carlos III da Inglaterra, a fim de evitar o nascimento de tantos filhos ilegítimos. No século XVIII, a França, famosa por seus bórdeis, começou a produzir camisinhas a base de intestino de carneiro em escala industrial. E nos Estados Unidos, país de Sheila Levine, os Condons se tornaram muito populares na década de 30, pela mesma razão que nos séculos XV e XVI: A sífilis. A criação do látex, em 1921, também deu uma forcinha para a reinvenção do método. Bom, continuando o curso da história, eis que, na década de 40, as autoridades têm, pela primeira vez, a idéia genial de tratar a sífilis com Penicilina. A Penicilina, aliás, era uma recém-nascida. Alexandre Fleming a havia  observado no bolor de pão em 1928 (como bem aprendi eu na sexta série, quando apresentei um trabalho sobre ele na feira de ciências da escola), mas sua comercialização só foi possível a partir de 1941. Sheila Levine, portanto, têm sua vida sexual iniciada no hiato entre duas epidemias: A de sífilis, mais controlada com a introdução da penicilina, e o HIV, que só virá com força nos anos 80. No que se refere ao ofício de evitar bebês, a camisinha encontrará na década de 60 um competidor de peso: A pílula anticoncepcional, para quem perderá a preferência duramente conquistada ao longo dos séculos. No caso de Sheila Levine, entretanto, seu método de escolha é o diafragma, desenvolvido pela primeira vez em 1870 e sem grandes vantagens que expliquem a sua escolha nessa época. Então porque Sheila não usava pílulas? Não sei. Teria medo de que a novidade não funcionasse? Ou receio de reter líquido e engordar? Só Gail Parent sabe… e infelizmente não explica.

Filme: O livro ganhou as telinhas em 1975, trazendo Jeannie Berlin, atriz com indicações ao oscar e ao globo e ouro, no papel de Sheila. Pelo que li, a crítica não aceitou bem. Não vou contar o que li, porque senão estrago o livro, mas se o filme realmente mudou o final… de fato é imperdoável.

Comentário: Leiam. Sério. Leiam. É divertido demais. Essa aqui é uma das dicas mais quentes que eu dou no blog em meses.

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