Livro – O caso do hotel Bertram

O caso do hotel Bertram

Agatha Christie, Inglaterra, 1965

Sinopse: Miss Marple ganha de seu sobrinho Raymond uma deliciosa estadia de quinze dias no luxuoso Hotel Bertram, um dos últimos redutos da aristocracia britânica ainda presentes na cidade de Londres. Tudo que Miss Marple deseja é relembrar os bons momentos da juventude e tagarelar com os amigos enquanto aprecia um típico five o´clock, acompanhado de alguns dos melhores Muffins de toda a Inglaterra. Mas o crime parece acompanhar Miss Marple aonde quer que ela vá. Sobre o cenário quase surreal do Bertram paira uma sobra: Assaltos a banco, roubos de jóias, fugas e desaparecimentos, tudo misturado em uma trama que tem tirado noites e noites de sono da Scotland Yard. Envolvida em mais um mistério que bate à sua porta, Miss Marple se vê diante de uma conspiração que é capaz de destruir não apenas a reputação de um velho hotel, mas também o pouco que resta de uma Inglaterra que já não existe mais.

Crítica: ATENÇÃO – SPOILERO Outro título deste livro é “A mulher diabólica”, o que é lamentável visto que o título original não tem nada a ver com mulher alguma e isto tira boa parte do mistério do livro, já que se na capa há menção a uma mulher diabólica, a história deve ter algo a ver com uma mulher diabólica…

Em vídeo: Segue aqui o link para uma versão filmada de “O caso do hotel Bertram” de 2007. Boa qualidade, mas sem legenda. Não assisti inteiro ainda, mas me pareceu bastante diferente do livro.

Comentário: Bacana. Achei muito interessante as “dicas” sobre a visão de mundo da autora que as entrelinhas deixam transparecer. A compreensão de Miss Marple, uma senhora idosa e apegada à tradição britânica, de que o natural é que as coisas simplesmente mudem é muito interessante e a cena em que Miss Marple narra uma conversa de sua juventude, com a avó e a mãe tem a naturalidade de uma conversa real com a própria autora. Gostei desse toque. Este livro tem um pouco mais de ação e “movimento” que os outros livros da Agatha, o que o torna de certa forma mais moderno, ou pelo menos menos clássico. É um bom livro, não o melhor, mas com boa qualidade. Bastente superior a “Um corpo na biblioteca”, mas inferior a “Assassinato na casa do pastor” e “A mão misteriosa”. No nivel de “Mistério no Caribe”, talvez até um pouco melhor.

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6 respostas a Livro – O caso do hotel Bertram

  1. Olá Diângeli!

    Descobri o blog recentemente e me senti à vontade para trocar idéias sobre literatura. Gosto à beça desse tema.

    Confesso que sempre tive um pé atrás com Agatha Christie. Talvez por ter se tornado uma escritora tão famosa por um gênero de consumo muito fácil. Sempre achei o romance policial mais entretenimento que reflexão, angústia, inquietação. Daí nunca fui muito afeita ao gênero apesar de gostar de ler freneticamente e de descobrir novos autores.
    A dedicação “quase exclusiva” de Agatha ao mistério e ao suspense na ficção policial (por mais talentosa e cativante que seja sua narrativa) sempre me pareceu certa carência de amadurecimento literário de sua obra.
    Recentemente me contaram que Agatha escreveu, usando artifícios de um pseudônimo que não me lembro agora muito bem (será que essa informação procede?), obras não-policiais como novelas, romances e até poemas. Tenho vontade de conhecer esse outro lado da autora. Quem sabe vença esse meu bloqueio… rsrsrsrsrs!
    Você sabe de alguma coisa a esse respeito? Tem sugestões?

    Gostei muito de conhecer seu blog! Além de dois pontos e travessão, acho que merece também uma exclamação!!!

    Abraços,

    Patrícia

  2. dsoares08 diz:

    Oi Patricia!

    Que bacana que você deixou um comentário, eu, de fato, adoro comentários!

    A Agatha escreveu uns romances sob o pseudônimo de Mary Westmacott. A LP&M inclisive relançou um deles recentemente, aqui está o link para você ver http://www.lpm-editores.com.br/blog/?tag=mary-westmacott. Dizem também que um deles, “O Retrato”, outro dos romances escrito por ela, é meio autobiográfico. Este livro tem uma personagem que é abandonada pelo marido e pensa em suicidio. Um dos momentos mais controversos da vida da Agatha é quando o seu primeiro marido resolve trocá-la por outra mulher. A Agatha Cristie surtou e ficou desaparecida por vários dias, até que foi reconhecida por alguém, hospedada em um hotel, onde se registrou com o nome da amante de marido! Então acham que a tal da “célia”, personagem do livro, poderia ser a própria Agatha, pelo menos em certo nível…

    Eu gosto muito de romances policiais, meus gêneros favoritos são romances policiais e romances históricos, mas concordo com você que não é mais nobre das literaturas. E acho que você tem razão mesmo quando ressalta o caráter comercial da coisa. Recentemente li aquele livro “Os diários secretos de agatha cristie” e em algum momento o autor comenta que quando Agatha se separou do Coronel Archibald Christie, ela pensou mesmo que escrever livros seria, mais do que uma arte, um meio de sustento. Dai a vasta produção (quese 100 livros!) e a própria repetição de algumas tramas sob nova roupagem – que o próprio livro, escrito por um fã, aponta. Escrever era a profissão e o ganha pão da Agatha Cristie. Penso que a maior parte dos autores consagrados produziram bem menos que ela. É o velho conflito quantidadeXqualidade…

    Romance policial é entretenimento mesmo. E ai eu acho que vai muito do que as pessoas gostam de fazer e do que dá prazer para as pessoas ao ler. Eu sou uma leitora dos pequenos momentos de ócio do dia a dia. Eu leio na parada de ônibus, durante o cafézinho no bar do hospital, enquanto esperava entre uma cirurgia e outra, quando estava passando no estágio de cirurgia, então – ainda que eu curta uma leitura de mais qualidade tb – é meio dificil ler Sartre nessas ocasiões hehehe. Pra matar o tempo tem que ser algo fácil mas instigante, curioso – como só os romances policiais conseguem ser – pq senão você pega uma revista e vai ler o seu horóscopo…rsss

    Se você algum dia tiver interesse de conhecer os romances policiais da Agatha, te recomendo a produção dela até a década de 40. São os melhores livros dela (principalmente os escritos durante a guerra). Ela tem muito mais empenho com os ambientes, com os personagens… os da década de 60 e 70 já não são tão bons.

    Volte sempre e grande abraço!

  3. Oi Diângeli!

    Obrigada pela sugestão do romance. Vou colocá-lo na minha lista. Se possível, passo aqui novamente para contar o que achei e trocarmos outras resenhas (hehehehe!)…. Posso?

    Quando falei de falta de amadurecimento literário de Agatha estava me referindo a isso mesmo que você disse. Dessa análise do conjunto da obra. Dessas críticas que ela recebe de ter cada vez mais superficializado sua narrativa, de ter gradativamente se apagado o espírito criativo, inventivo da artista e no final ela acabar copiando a si mesma. Às vezes o que questiono é a real beleza artística, a atemporalidade, a consistência da metalinguagem do trabalho dela e até o referencial de “sucesso” que atribuímos a um autor.
    Com freqüência fico chocada com as listas divulgadas dos best sellers…

    Talvez a opção pelo gênero policial tenha muito a ver com a própria biografia de Agatha. Uma vida rodeada de mistérios e dramas pessoais como você comentou. Talvez até fosse inevitável esse caminho.

    Mas reconheço o marco histórico que Agatha representou para o gênero. Não é à toa que ela possui uma multidão de leitores vorazes. Acho até que Clarice, Fernando Pessoa, Drummond e outros teriam uma pontinha de inveja dela (rsrsrsrsr!). Ela costuma sim seduzir. Nisso ponto pra ela! Concordamos.
    Agatha realmente é uma leitura para intervalos. E isso é muito bom. Também acho que não conseguiria ler Sartre nos sacolejos do ônibus, ainda que fosse o seu maravilhoso “Entre quatro paredes”.

    Mas às vezes essa realidade contemporânea também me preocupa, sabe?!
    Tenho medo que o grau de ocupações e a diversidade de tarefas que nos impomos (às vezes até nem temos escolha haja vista a rotina de um estudante de medicina como você colocou) nos deixem tão, mas tão ocupadas e cansadas, que nem teremos mais tempo para as pausas de uma leitura que suscite um dilema, para a contemplação de um poema, para uma epifania (à moda de Clarice). Ter a sensação de ler um poema e ficar com ele martelando na cabeça semanas a fio. Tenho medo dos leitores de poesia se tornarem escassos, de a poesia deixar de ser companheira, cotidiana nossa, livro de bolso, sabe?!

    Escrevo poesia e às vezes me pego pensando nisso. Um dia, coloquei até uma crônica que eu adoro no meu blog (http://portaodosfundos.blogspot.com/2009/11/pausa.html) em que o gauchíssimo, leve e bem-humorado Mário Quintana reflete sobre isso.

    Enfim, é isso. Desculpe o desabafo, mas encontrei uma liberdade super acolhedora no seu blog para refletir sobre essas questões que me incomodavam. Talvez até continue esse papo com a minha terapeuta… hahahahahah!

    Obrigada pela resposta. Obrigada também pela diversidade de assuntos do seu blog. Gostei muito de conhecê-lo.

    Abraços,

    Patrícia

  4. dsoares08 diz:

    Oi de novo, Patrícia! Que bom que você voltou!

    Muito linda a crônica do Quintana no seu blog! Também acho que falta espaço no dia a dia para o nosso Dom Quixote. E também acho uma pena. Na verdade, acho até que usei o verbo errado na ultima resposta. Eu “estou” uma leitora das pequenas brechas de ócio do dia a dia (faz um bom tempinho, desde que “iniciou” o meu final de curso e terminei minha “jornada” no Movimento Estudantil). Mas volta e meia vem aquela sede de ler coisa melhor. Meu ultimo “surto” sedento foi quando li Camus, ano passado. Acho que em breve cairei em outro surto desses. Que venha logo!

    Confesso para você que leio muito pouca poesia, mas comecei a seguir o seu blog, onde aliás encontrei muita coisa boa! Quem sabe não viro fã? Heheh.

    Obrigada pelos elogios ao blog. Volte sempre e sim, venha me contar mesmo o que achou do “Ausência na Primavera”!

    Beijão

  5. Rachel diz:

    Oi Di!
    Acho que vou ter que ler de novo esse livro porque eu tinha a impressão de que não tinha gostado dele…..ou às vezes eu não gostei mesmo, né?! rs
    Mas vale a pena reler, quem sabe o vejo agora de uma outra forma?!
    Beijos

  6. dsoares08 diz:

    Oie Rache!

    Olha o livro é bacaninha, mas eu não acho que vale reler não hehehe. Tem coisa melhor da Agatha pra reler. Da Miss Marple, melhor reler Assassinato na Casa do Pastor e A mão misteriosa. Os outros todos, acho que uma vez basta!

    Mas o livro que eu to lendo dela agora (tive que pular a miss marple pq simplesmente não acho pra vender os livros dela que me faltam), por exemplo, é MUITO bom! Mas muito bom MESMO! “Punição para a inocência”, esse ai ate vale-a-pena-ver-de-novo. Será que os livros da Agatha sem detetives são todos tão bons assim? Pq O caso dos dez negrinhos é ótimo. Esse aqui é ótimo. A mão misteriosa, que pode-se dizer que não é da miss marple, já que ela aparece só no final, tb é ótimo… acho que minha próxima lista vai ser os livros-sem-detetive hehehe.

    Beijusss

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