Balanço do Primeiro Turno

Balanço do Primeiro Round Eleitoral

Domingo enfrentei cinco horas e meia de estrada para votar em Porto Alegre. Isto porque errei de ônibus, mas esta não é uma história relevante no momento. Atravessei mares de panfletos caídos no chão, me perdi dentro da PUC – que estava muito mal sinalizada esse ano – mas consegui. Ufa, pensei quando saí. Achei que tinha terminado.

Mas não terminou, não é mesmo?  Não, não terminou. Ainda tem um segundo round.

Mas antes de chegar no segundo round, vamos começar pela parte boa, porque comemorar nestas horas de tensão é preciso. Nós gaúchos finalmente botamos Yeda para fora. Depois de quatro anos de truculência, ataques e maldades (vindas aos pacotes), podemos ter certeza de que 1º de janeiro será um dia melhor, porque Yeda não estará mais nas sacadas do Piratini. Sabemos que o governo Tarso não será o governo dos nossos sonhos. Mas o pesadelo terminou. Sei que vários companheiros irão ser absolutos na análise e dizer que é tudo a mesma coisa. Eu discordo. Apesar de outras candidaturas, como a do companheiro Pedro Ruas, serem mais representativas do movimento organizado que se levantou pelo “Fora Yeda”, acredito que a nossa luta esteja bem representada nesta retumbante derrota das duas candidaturas do governo. O balanço do Governo do Estado é, portanto, positivo.

Outra boa notícia foi o resultado do Senado. Não só a recondução do Paulo Pain, em reconhecimento à algumas lutas bem travadas pelos aposentados. Isto foi bom. Mas a melhor notícia mesmo foi o desempenho do Partido da RBS nas urnas. Ana Amélia Lemos teve uma votação bem mais modesta do que se esperava. Até decepcionou um pouco, eu diria. E isto é muito significativo em um estado onde a globo local já elegeu dois governadores e concorre ao cargo em toda as eleições, desde 1994.

Não vou me alongar muito nesta questão do senado, mas vou indicar um artigo muito bom sobre o assunto, publicado no RS Urgente. “RBS, como se fosse um partido” mostra como alguns dos políticos mais conhecidos do Rio Grande do Sul são comprometidos até a alma com o Grupo RBS. Antônio Britto, governador da Privatização, foi diretor de jornalismo da empresa. Sérgio Zambiazi, senador cuja cadeira será agora ocupada por Ana Amélia Lemos, correspondente da RBS em Brasília, era apresentador da Rádio Farroupilha, também do grupo. Yeda, como não poderia deixar de ser, também teve a sua parte: ainda professora, entrava na TV com comentários de economia. Mas o fato que importa aqui é seguinte: Ana Amélia Lemos sai bem das urnas e já é até cotada para concorrer ao Piratini em 2014. Mas não sai como o fenômeno todo que estava sendo pintado.

Agora a parte ruim: Não elegemos Luciana Genro e nenhum dos candidatos do PSOL à Deputado Estadual. Este é um resultado muito negativo, pois o PSOL vem sendo um partido fundamental para o Rio Grande do Sul. O PT também foi importante para o campo da esquerda no último período, por sua representação parlamentar e capacidade de mobilização que estiveram, sim, à disposição do movimento social contra o Governo Yeda. Mas não há dúvida de que na condução da luta, especialmente da que se deu na rua, a orientação política do PSOL foi preponderante. E a agenda das ruas, eventualmente acabou determinando a agenda da Assembléia, uma prova de força muito importante para um partido novo. Aqui no estado, com seis anos de idade, o PSOL já começa a ter uma “tradição” e ela é de muita luta. Uma pena que, pela falta que fez a composição da Frente de Esquerda, isto não tenha aflorado nas urnas com a força que merecia. Mas o PSOL é “partido de ano inteiro” e uma derrota nas urnas, é apenas uma derrota nas urnas. O partido cresceu e crescerá mais.

Por último a eleição presidencial. Preocupante a onda de voto conservador, alicerçado em tudo que existe de pior, que tirou o primeiro turno de Dilma. Infelizmente não foi o voto da esquerda que levou ao segundo turno, como ocorreu em 2006, quando a votação de Heloisa Helena teve peso. O segundo turno é fruto do voto contra o aborto, a favor da sustentabilidade de fachada e pela recomposição de uma direita “de novo tipo”, que vem sendo anunciada desde que se percebeu que o PSDB poderia nunca mais recuperar o velho fôlego.  Mas de novo mesmo, só a cara: feminina, negra e de origem humilde. De prática segue tudo o mesmo. Na tríade do conservadorismo, só não se exacerbou neste pleito a defesa da “pátria”, porque o Lulismo tem se encarregado muito bem de vender a sua versão dela. Mas “Deus” e a “família” estiveram presentes como nunca nesta eleição.

Se iniciam agora dias nervosos, rumo a um segundo turno que promete seguir a receita dos escândalos do mês de setembro. O moralismo pregado nada tem a ver com a moralidade desejada. Trata-se de alegoria golpista que serve apenas para fortalecer o show midiático e a dependência da política ao show midiático. É isto que o PSDB promete entregar de volta ao Brasil, caso venha a eleger Serra em 31 de Outubro. O poder absoluto da grande mídia sobre nossas mentes e vidas. Como se não bastasse o que já tem.

Certamente, derrotar Serra não destrói a direita brasileira. Mas inaugura (finalmente!) o período terminal da crise por que passam as legendas políticas que representam a direita tradicional. O enfraquecimento do DEM e do PSDB afeta, sem sombra de dúvida, a representação parlamentar do setores mais retrógrados da sociedade brasileira. E isto é positivo para o povo brasileiro. Desaparelhar a direita retrógrada é positivo para o povo brasileiro.

Termino, então, declarando meu voto em Dilma no 31 de Outubro. Até lá, muito ânimo para ganhar e manter os votos, na certeza de que voto em Dilma é o voto contra o pior do Brasil. O pior do Brasil que, inclusive, antipatiza com a candidata porque acha que a “Revolução” de 64 não foi golpe e que quem lutou contra ela era terrorista.  Mas tudo bem. Eles não perdem por esperar. “Não passarão”.

Não poderia terminar também, sem dizer que o final da campanha do Plínio* orgulhou a todos nós, socialistas. À título de balanço, acho que ele poderia ter batido mais no Serra durante a campanha. Mas a mensagem geral que ficou foi a de que “o impossível se torna possível quando nós queremos”. Isto pode até não ganhar uma eleição. Mas não pensemos pequeno. Isto ganha coisa muito melhor. A conferir ;-).

* Para um bom balanço da Campanha do Plínio confira no Ballarotteando “Valeu Plínio” (aqui)

Outros balanços:

VÍDEOS:

  • Vídeo com Mensagem do Plínio de Arruda Sampaio 03/10/2010
  • VídeoChico Alencar e Marcelo Freixo – Festa da Vitória
  • Vídeo Entrevista da Luciana Genro no JA 06/10/2010 – (aqui) obs: a entrevista é ali pelos 3min30s. Texto sobre a entrevista (aqui)
  • Painel RBS com Tarso Genro, Governador eleito 06/10/2010 – primeiro blocosegundo blocoterceiro bloco
  • Vídeo Zé Maria fazendo balanço das eleições e convidado para conhecer o PSTU
  • Twitcam Luis Nassif – O segundo tempo do jogo (aqui)

PARLAMENTARES:

  • Luciana Genro concede entrevista à Zero Hora – Blog da Luciana Genro (aqui)
  • Balanço Vereadora Fernanda Melchiona –  (aqui)
  • Primeiro Boletim Chico Alencar após a vitória – (aqui)
  • Balanço Pedro Ruas (aqui)
  • Artigo Luciana Genro na ZH 07/10/2010 – (aqui)
  • A vitória do homem sobre as máquinas (Marcelo Salles) – Sobre a vitória no RJ (aqui) – Blog do Chico Alencar
  • Ivan Valente declara seu voto crítica em Dilma 13 – (aqui)
  • Manifesto dos Parlamentares do PSOL declarando voto crítico em Dilma (aqui)

BLOGS:

  • Ballarotteando “Valeu Plínio” (aqui)
  • Re-volta – Rodomundo(aqui)
  • No Blog Propalando – Boatos religiosos contra Dilma (aqui); Carta do MAB contra Serra (aqui); É preciso derrotar Serra (aqui)
  • Entrevista Exclusiva com Pedro Ivo (sobre a negociação com Marina Silva) – Blog do Tiago Ventura(aqui)
  • A “questão religiosa” e os números do 1° turno – RS Urgente (aqui)
  • Balanço inicial do primeiro turno – Blog do Emir Sader (aqui)
  • Eleições 2010 e Saúde – Vote SUS (aqui) – Blog Eduardo Santana, sobre as eleições no Goiás
  • Resultado do PSOL nas eleições de 2010 – Uma primeira palavra (aqui)Roberto Robaina
  • Todos contra Serra – Blog A Galinha Cabidela (aqui)

ORGANIZAÇÕES:

  • Vitória de Serra é derrota dos trabalhadores – Consulta Popular (aqui)
  • Refundação Comunista: Segundo turno – Derrotar o Bloco DEM-PSDB (aqui)
  • Derrotar Serra nas urnas e Dilma nas ruas – PCB (aqui)
  • PSOL – Nenhum voto em Serra (aqui)

IMPRENSA:

  • Artigo que provocou a censura da jornalista Maria Rita Khel no Estadão – Dois pesos… (aqui)
  • O futuro do DEM – Maria Inês Nassif – O valor Econômico (aqui)
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