A verdade sobre a mulher que inspirou este blog

Estou de férias em Brasília e “férias”, para mim, inclui investir umas boas horas do meu merecido óciomerecido ócio, assistindo mais uma vez todos os filmes que eu já assisti pelo menos mil vezes. E foi assim que eu descobri coisas terríveis sobre Julie Powell, a musa inspiradora de “Dois Pontos: Travessão.”

Há aproximadamente um ano (meu blog está quase fazendo aniversario…) eu assisti Julie&Julia. Na época, este era o filme novo da Meryl Streep e eu, particularmente, sempre sou companhia para assistir qualquer que seja o filme novo da Meryl Streep. Julie&Julia é um filme leve e bobinho (mas absolutamente encantador), que conta a história de duas mulheres que são salvas pela comida. As personagens são Julie, uma novaiorquina moderna, que vive presa à um cúbiculo e a um emprego sem futuro e Julia, uma americana feliz e muito bem ambientada na França, mas sem vocação para ser simplesmente a esposa de um diplomata. As duas histórias se entrelaçam quando Julie resolve criar um blog sobre culinária. E a minha se entrelaça com a delas, no momento em que Julie Powell proclama sua célebre frase: “I have thoughts”. Foi neste momento em que eu me dei por conta de que “eu também” e resolvi criar Dois Pontos: Travessão.

Ontem, quando os créditos finais rolaram tela abaixo mais uma vez, percebi que eu nunca havia esclarecido uma das maiores questões do final do filme. E logo fiquei curiosíssima. Como pude deixar isso passar?

Alerta: se você não viu o filme e não quer saber uma informação importante sobre o final, pare de ler agora. Aproveite e clique aqui, para fazer o download de Julie&Julia

A grande questão é: O que Julia Child disse sobre o Blog de Julie Powell? Porque Julia não gostou do “The Julie/Julia Project”? Fui ao oráculo procurar a resposta e a questão é a seguinte: Julie Powell parece não ser, exatamente, muito boa pessoa.

O que dizem por ai a respeito de Julie Powell

Li cerca de dez textos (longos) em vários blogs diferentes e fiquei bastante surpresa ao constatar que a opinião geral é de que as Julie das telinhas do cinema e do pc são completamente diferentes.  E que uma rápida leitura do blog “The Julie/Julia Project” esclarece qualquer dúvida em favor do julgamento de Julia Child.

Vamos então recapitular o que temos, antes de passar para os fatos: Sabemos, pelo filme, que Julia Child leu o blog de Julie Powell e não gostou do que encontrou. Julie descobre isto através de um jornalista e fica arrasada. “Julia hates me”, diz ela à Eric, seu marido. E os dois passam horas tentando entender o porque, em conjecturas que vão desde a freqüência com que Julie usa aquela palavra que começa com “F”, até questionamentos acerca da “perfeição” de Julia Child.

A primeira questão a ser esclarecida é qual foi exatamente a crítica de Julia ao trabalho de Julie. Encontrei esta resposta no Blog “Eat me Daily“. Julia Child leu o blog de Julie junto com sua editora, Judith Jones e teria dito a ela: “Eu não acho que ela seja uma cozinheira séria”. Jones, convém lembrar, é a ilustre convidada para jantar que dá o cano no Beauff Bourgoin de Julie, aparentemente sem razão alguma. Na realidade, Jones também não simpatizou com o Blog de Julie:

Outros blogs vão mais longe. Classificam “The Julie/Julia Project” como um verdadeiro desfile de reclamações e choradeira fútil. Acusam Julie de fazer pouco caso da arte de cozinhar e, pior, dizem que Julie não aprendeu nada com o projeto:

O novo livro

O golpe mortal em Julie Powell, entretanto, se chama “Cleaving”.

“Cleaving” ou “Destrinchando – Uma história de casamento, carne e obsessão” é o novo livro de Julie Powell. E a temática, bem, a temática não é mais exatamente o quanto ela ama manteiga, mas sim o quanto ela ama… o seu amante.

É isso mesmo que você leu. Julie Powell, após ficar rica e relativamente famosa com “Julie&Julia,” começou a ter um caso com um certo “Senhor D”, enquanto ainda estava casada com Eric, seu santo marido. E, por algum motivo, ela pensou que seria adequado escrever um livro sobre isso.

As críticas à “Destrinchando” são realmente muito severas. Na maior parte das críticas que li sobre “Julie&Julia”, as pessoas eram capazes de fazer algumas considerações positivas à respeito do trabalho de Julie Powell, mesmo que odiassem seu Blog. Mas o novo livro teve uma recepção muito ruim.

Em “Destrinchando” (ainda não lido por este blog), Julie recebe o telefonema de um antigo namorado, na época em que estava finalizando o livro “Julie&Julia”. A partir daí, começam os encontros extra-conjugais que iriam durar longos dois anos. Neste meio tempo, Julie começa a trabalhar em um açougue, coisa que deveria trazer toda uma simbologia ao livro, associando o ofício à brutalidade, sexo (carne!) e expiação. Mas, aparentemente, o que fica evidente para todos, é o sofrimento de Éric, muito exposto durante todo o livro. Julie Powell declarou que escreveu “Destrinchando” para entender por que teve um caso. Mas, as críticas insistem que a reflexão não é o forte de Julie. Ela não teria feito nenhum tipo de auto-crítica à respeito das situações à que expôs Eric. E “narcista” é uma palavra que volta à baila diversas vezes.

Em defesa de Julie

Para não dizer que não ouvimos o lado de Julie, vale citar que ela atribui as críticas que recebeu à uma questão de gênero. A maior parte das críticas ruins estariam vindo de homens, solidários à Eric. Julie diz também que Eric entendeu “o que este livro significa pra mim (ela)” e deu sua “benção” para a publicação. E bem, em defesa de Julie também, eu ainda não li nenhum dos seus dois livros, então vou lhe dar o benefício da dúvida.

No final, fica a dica que recebi em um dos blogs que li e passo adiante. Não deixem que os deslizes de Julie Powell os impeça de assistir o filme que é ótimo, e tem uma (mais uma) brilhante atuação de Mery Streep. Duvida? Curta então este vídeo no youtube, que compara a Julia da Meryl com a Julia de verdade. É incrível.

O filme é muito bom e não me importa muito o fato de Julie Powell não ser exatamente um anjo. Julia decepcionou Julie, ao não gostar de seu blog. Mas o que importa é que Julia Child serviu de inspiração para Julie fazê-lo. Mesma coisa por aqui. Sem “Julie&Julie”, Dois Pontos: Travessão não existira. Eu ainda não tenho nenhum contrato para o cinema, mas quem pode saber o futuro, não é mesmo?😉

Saiba mais:

GNT Gourmet: Destrinchado – O novo livro de Julie Powell fala sobre Amor e Carnes

UOL: “Minha Vida na França” demonstra o encantamento de Julia Child pelo país europeu


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16 respostas a A verdade sobre a mulher que inspirou este blog

  1. Larissa diz:

    Oi Didi. Acabei de ver o filme e por acaso achei esse post.
    Posso te dizer com sinceridade que me decepcionei com Julie Powell. Mas, vamos laa, fico me lembrando que a atriz Amy é diferente da escritora Julie e, com certeza, foi pintada de maneira mais doce. De qualquer forma, obrigada pelos esclarescimentos e o link do blog original. Vou dar uma olhada! Adorei o seu blog! (:

  2. dsoares08 diz:

    E ai Larissa! Tudo bem?
    Pois é, eu também acho o filme excelente, vale muito a pena assistir. A atriz que faz a Julie é excelente, o filme é uma gracinha, eu ja assisti varias vezes.
    Muito obrigada pelo seu comentário. Apareça mais vezes.
    Beijocas

  3. Joao diz:

    Oi, acabei de assistir o filme, e enquanto assistia, li seu post.

    Agradeco pois tb li o blog original e achei ela meia desbocada.

    quero ver se o segundo livro vira filme…

  4. dsoares08 diz:

    Olá joão. Que bom que você gostou.
    Eu acho difícil que o segundo livro vire filme, mas estou lendo ele agora para descobrir se ele é tão terrível quanto dizem por ai🙂
    Abraços

  5. Wagner Alves diz:

    Olá, meu nome é Wagner!
    Acabei de assistir o filme e, por esse motivo, resolvi procurar comentários acerca da história que assisti. Tenho que confessar que o seu artigo foi bem elucidativo em alguns pontos aos quais me forneceram um contributo protéico para o entendimento do filme. E mesmo que em certos momentos o seu texto tenha caído em algumas ciladas moralistas sobre as ações pessoais de Julie Powell, foi interessante o modo como você retratou a dinãmica de sua vida real com o enredo do filme, que por sinal, como você mesmo disse, a despeito de ser “leve e bobinho” é, com efeito, “absolutamente encantador”…
    Parabéns pelo blog e espero ler outros textos seus…

    Wagner.

  6. dsoares08 diz:

    Oi Wagner!
    Bem vindo ao blog e muito obrigada pelo seu comentário!
    O filme é muito bonitinho mesmo e a “cruel realidade”🙂 não tira nem uma lasquinha das qualidades do filme e da atriz que faz a julie do filme.
    A única coisa que eu constatei, lendo Destrinchando, o dito livro novo, é que infelizmente as interpretações sobre a realidade fazem algum sentido. Destrinchando é bem ruizinho, passa a muito a sensação de você estar lendo um grande livro sobre nada. E nada contra ela ter um caso, mas não deixa de ser estranho ela optar por expor o marido daquela forma ao mesmo tempo em que tem o cuidado de proteger a identidade do outro, chamando-o de “D”. Essas reflexões, por mais que sejam juízos de valor, acabam fazendo parte da leitura, principalmente quando a história, ao contrário de te prender, praticamente te obriga a divagar sobre a psiquê da autora.
    Mas faz parte da vida!
    Volte mais vezes! Abraços!😉

  7. Bren diz:

    Heeey, também assisti o filme e achei sua postagem!
    Realmente, a atuação da Meryl é perfeita, mas a história das personagens verdadeiras me intriga. Vou procurar saber mais!
    aah, adorei seu blog!
    beijo

  8. dsoares08 diz:

    Oi Bren!
    Obrigada, volte sempre!😉

  9. thayza diz:

    Em primeiro lugar, gostaria de dizer que achei interessante seu questionamento sobre o pq de Julia Child não ter gostado do blog de Julie e ter ido atras de respostas. Mas acho que você cometeu um grande equivoco em sua “busca” por respostas. O primeiro lugar que você deveria consultar é o livro que deu origem ao filme. O filme é apenas um produto embrulhado em papel bonitinho(não desmerecendo o resultado do filme). A Julie Powell do filme não é a Julie Powell do livro. No livro ela é ácida, ainda mais narcisista, ironica, boca suja, de humor negro..nd haver c/ a doce Amy Adams do filme. Qual eu prefiro?A do livro, sem pensar duas vezes. No filme, eles deixam de lado um aspecto mto importante da personalidade dela: ela é uma democrata sem pudor e sem preconceitos q trabalha no auge da era Bush num escritorio de republicanos. E assim ela o é em seu blog, em pleno debate “11 de setembro”ñ poupa comentarios ao comportamento hipocrita norte americano. E dificilmente colocariam isso no filme…america gosta do q Amy adams é: doce como mel..e ñ como Julie é: acida como limão.
    E não espere encontrar boas resenhas dos seus livros em sites destinados a isso. Ela escreve de maneira informal, usa mtos maneirismos, palavrões, escreve em tom de blog…não é um livro p/esnobes criticos literarios. é um livro p/ pessoas q se permitem se jogar num sofa e ler por DIVERSÃO.
    Dê uma chance a Julie do livro..vc verá que ela NUNCA se pretendeu uma cozinheira séria, pelo contrario, vc vai se surpreender c/ os desleixos dela.

  10. dsoares08 diz:

    Oi Thayza, obrigada pelo comentário.
    Você tem razão. Com certeza a Julie Powell não tinha a menor intenção de se tornar uma cozinheira e a crítica de Julia Child é na realidade uma obviedade. Ser uma cozinheira séria não era a idéia. Concordo com a análise que li de que, no que se refere à crítica de Julia Child, o que houve foi um grande choque geracional e a incompreensão mesmo, de “para que serve” fazer aquilo que ela estava fazendo. Meu pai, por exemplo, não vê propósito algum em pessoas que tentam bater records. Ele acha uma grande bobagem as pessoas tentarem ficar três dias debaixo d´água sem respirar. Eu acho normal, na maior parte das vezes legal. Já ele, chega até a se irritar um pouco (“vão trabalhar”, etc). Existem rabijices que fazem parte da vida mesmo. Fico me imagindo daqui vinte anos, diante do maior bolo do mundo e pensando “Nossa. Quem é que vai comer isso?”. Fico meio deprimida com o pensamento. Espero ser mais criativa do que isso em 20 anos.
    Por outro lado, entendo também que Julia Child escreveu um livro que se pretendia acessível a todos, para a americana comum, e que o fato de Julie Powell expor suas dificuldades ao segui-lo acaba, de certa forma, colocando em xeque a capacidade do livro dela ser realmente acessível. Mas realmente esse não é o ponto. É bobagem. Ela e o seu livro já são bastante consagrados.
    Sobre os livros de Julie Powell: Muito legal essa parte crítica que você relatou à respeito do primeiro livro. Eu realmente não sabia e lógico que os ditos críticos especializados (e Holywood) sempre deixam, convenientemente, essas coisas de lado. Sobre o segundo livro, eu tenho um elogio. A escrita dela é muito envolvente. Ela é engraçada, boa escritora mesmo, mas até agora eu estou achando o livro bastante vazio em termos de história mesmo. E essa é uma sensação recorrente, a sensação de estar lendo “nada”. Você pensa mais vezes do que deveria durante a leitura do livro que só o que o sustenta é uma mão hábil e um nome que por si só já garante algumas vendas. Mas, pela contribuição que ela deu à minha vida🙂, vou fazer uma força de levá-lo até o final e, assim que for possível, vou tentar ler o livro que deu origem a tudo. Ela tem méritos.
    Volte sempre😉

  11. ThayGadelha diz:

    Nossa eu adorei o seu blog , fala de assuntos que realmente me interessam . A alguns pontos que você fala sobre filmes (Julie&Julia por exemplo , eu concordo plenamente com seu ponto de vista sobre o filme do filme) e ainda tem cartoons e alguns posts de biografias.
    Muito boa a maneira de você ter se interessado por criar o blog através do filme , também sou uma pessoas que adora ver os filme com Meryl Streep, apesar de ver mais filme com Johnny Depp …
    Esta de Parabéns , é um ótimo blog, a tempos venho procurando um blog onde eu possa ler assuntos que não sejam chatos ,como muitos que venho lendo e analisando . O seu posso dizer como Incrível , vou apenas agradecer por você ter tipo a criatividade de crialo , Obrigada !
    Espero outros assuntos que viram por ai … Até !!

  12. Elaine Aparecida Santana diz:

    Gostei muitíssimo de encontrar o seu blog. Ao ver o filme, eu e minha irmã ficamos com a “pulga”: porque a Julia Child não gostou do blog? As pesquisas que vc fez responde muita coisa mas também encobre a verdadeira Julie Powell e todo um contexto com bastidores repletos de interesses. Mas o que gostei mesmo de perceber na sua escrita foi o profundo respeito pela opinião de seus leitores e a sua capacidade de refletir através das críticas sem cair na “fogueira das vaidades”, isso é louvável. Mas o que realmente é delicioso no filme é a oportunidade de ver mais uma brilhante atuação da Meryl. Se vc tiver interesse em conhecer ou talvez até conheça algo, gosto muito da obra de Jane Austin que já foram gravadas em filmes e séries. Lê os seus comentários a respeito seria muito interessante. Abraços!!!

  13. Cynthia diz:

    Olá, amo esse filme e assisti várias vezes, mas acho que ele deveria ter sido feito com mais realidade e menos glamour Hollywoodiano, tenho certeza de que, quem assiste fica com essa dúvida, porque Julia não gostou do blog da Julie.
    No filme não fica bem claro o que aconteceu, inclusive eu só fiquei sabendo agora através do seu blog.
    Amo cozinhar e com certeza Julia Child foi e sempre será referência para culinária em qualquer parte do mundo.
    Beijos.

  14. Você escreve relativamente bem mas tem um problema sério com a crase.

  15. Mario Casasanta Neto diz:

    Oi moça, bacana sua postagem. Também assisti o filme e ele é realmente inspirador. Há q se notar q não precisamos ser santos para sermos um exemplo.

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