Confissões de um Assassino Econômico vira filme

Vem ai, dos produtores de “Ao Sul da Fronteira”: Confissões de um assassino econômico

“Coloquei a mão esquerda no  bolso do paletó e disse: ‘Sr. Presidente, tenho aqui Dois Milhões de Dólares para o senhor e sua família, caso queira jogar o jogo – sabe como é, ajudar meus amigos das empresas petrolíferas, tratar bem seu Tio San’. Dando um passo à frente, coloquei a mãe direita no outro bolso, debrucei-me e sussurrei em seu ouvido: ‘E aqui tenho um revólver e uma bala com seu nome nela, caso resolva cumprir as promessas que fez em sua campanha.'”

John Perkins foi durante muitos anos um Assassino Econômico (AE). Em suas próprias palavras, Assassinos Econômicos são “profissionais altamente remunerados cujo trabalho é lesar países ao redor do mundo em golpes que se contam aos trilhões de dólares”. Sua função era convencer países do chamado terceiro mundo a aceitar empréstimos para desenvolvimento de Infra-Estrutura e garantir que corporações americanas como a Halliburton e a Betchel participassem destes projetos.

Em “Confissões de um Assassino Econômico”, livro lançado em 2004, o autor nos conta como foi viajar pelo mundo à serviço dos interesses do Tio San. John Perkins conduz sua narrativa explicando o modus operandi do AEs e seus empregadores e nos coloca ao seu lado nos bastidores de alguns dos eventos mais escabrosos do capitalismo do século XX, como a queda do Xá do Irã, a morte do Presidente panamenho Omar Torrijos e a crise do petróleo. Tudo isso com direito à muitas lições de economia, informações históricas e culturais sobre cada um dos países por onde ele passou e um certo “quê” de suspense, digno de seriado de TV. Não foram apenas CEOs e Chefes de Estado que almoçaram e trocaram apertos de mãos com John Perkins. Chacais, prostitutas e espiões também fazem parte desta pequena comunidade secreta que vive à sombra do grande capital.

A Verdade Sobre o Império Americano

Outro dos livros de John Perkins lançado no Brasi em 2007 se chama “A História Secreta do Império Americano”, de onde foi retirada esta frase que citei no inicio. O livro, que tem prefácio do jornalista Heródoto Barbeiro – o apresentador de Roda Viva que teve a audácia de inquirir Serra sobre os pedágios e por isso teve seu pescoço cortado na guilhotina da TV Cultura – aborda com mais profundidade a América do Sul. E, enquanto “Confissões” perpassa acontecimentos que ocorreram entre os anos 70 e 2000, “A História Secreta do Império Americano” consegue discutir melhor o fenômeno latino-americano vivido nesta primeira década do século XXI.

Vale a pena ler. Além da Revolução Bolivariana de Chavez e da questão da água na Bolívia, há um capítulo reservado para o Governo Lula em que Perkins narra uma conversa curiosíssima que  teve com um homem forte do governo – a quem ele omite o nome, chamando-o apenas de “José” – durante um dos Fóruns Sociais Mundiais que aconteceram em Porto Alegre.

A Versão para o cinema

Tive hoje a excelente notícia de que a produtora Cinema Libre, de Los Angeles, está trabalhando em uma versão do livro para as telonas. A previsão de início dos trabalhos é meados de 2011. Cinema Libre tem um histórico de mais de 100 filmes com enfoque social e político. Recentemente produziu “Ao Sul da Fronteira”, filme de Oliver Stone, que narra o momento político sul-americano, entrevistando presidentes dos governos mais (e menos) progressistas da América Latina.

Sobre a veracidade dos fatos

John Perkins é um homem só, de modo que só ele sabe o que viveu. Em defesa do livro, creio que o que haja de mais forte seja o seu conteúdo político: ele não conta nada que a esquerda não saiba ou não acuse o grande capital de fazer. As pessoas podem suspeitar dos diálogos que ele teve com chacais – matadores de aluguel e espiões, mas, convenhamos, não faz nem 10 dias que os Estados Unidos e a Rússia realizaram uma operação hollywoodiana na troca de 14 espiões em Viena, incluindo a tal Anna Chapman, uma espécie de “Sra. Smith” da vida real. Assim, em tempos de espiãs ruivas e criptografias inquebráveis, como a dos HDs do caso Daniel Dantas, acho que estamos vivendo dias em que está mais fácil acreditar do que duvidar dessa parte mais fantástica do livro.

Espero que quando “Confissões” for lançado seja de fato exibido nos cinemas. “Capitalismo – Um história de amor” foi solenemente ignorado e ainda não vi “Ao sul da Fronteira” na lista das próximas estréias. Coisas da dita “liberdade”.

Para saber mais – Sítio do Autor: http://www.johnperkins.org/

Siga John Perkins no Twitter: @economic_hitman

Novo Livro de John Perkins sobre a Crise de 2008: Hoodwinked: An Economic Hit Man Reveals Why the World Financial Markets Imploded–and What We Need to Do to Remake Them

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