25 outonos depois

20 de Março

Ontem as 14h32min começou o Outono em todo Hemisfério Sul. Duas horas e dezoito minutos depois eu completei meu 25⁰ equinócio. Tecnicamente 50⁰ equinócio, mas 25⁰ de outono. Comi bolo, ganhei presentes, recebi mensagens de um monte de gente, fui num casamento divertido, tive um bom 25⁰ equinócio. Fiquei pensando nos meus outros equinócios felizes. Eu me lembro do meu aniversário de 3 anos, das pernas da minha vó, superfície sobre a qual eu estava rasgando um pacote de presentes. Eu lembro de não ter gostado do presente, porque eram roupas e criança, sabe como é, só quer saber de ganhar brinquedo. Minhã irmã, minha prima e a irmã delas (longa história, depois eu explico pq minha irmã e minha prima tinham uma irmã que não era nada minha) estavam vestidas de coelho – o tema da festinha era a páscoa – e eu passei a festa inteira sem saber quem era quem. Eu lembro do presente que meus pais me deram logo de manhã para eu sossegar até a hora da festa: Um jogo de copinhos e xícaras de plástico que, incrívelmente, durou muitos anos. Tinha umas miniaturas de taças de martini que, pensando agora, eram bem inapropriadas para crianças. Por outro lado, somos uma geração que comia cigarrinhos de chocolate e se isso não nos matou, não seriam umas taçinhas de martini que o fariam.

Eu lembro do meu primeiro equinócio em Brasília, quando a gente se mudou. Ganhei a clássica bicicleta rosa com a cestinha branca na frente e as rodinhas na parte de trás. Meu irmão foi quem me ensinou a andar e foi ele que desparafusou as rodinhas. Depois disso me lembro de um aniversário não sei de quantos anos num dia que caiu um dilúvio em brasília. Minha mãe foi me buscar na Asa Norte (primeiras aulas de informática) e o carro quase afundou perto do conjunto nacional. Eu lembro que minha mãe quis inovar naquele ano e resolveu não repetir os ultrapassados bolos de chocolate. Inventou uma coisa esquisita lá de nozes que ninguém comeu. Mas apesar disso e do dilúvio foi divertido. E depois disso, os bolos de chocolate voltaram a ser moda lá em casa.

Não consigo me lembrar dos outros aniversários até o segundo grau. Mas eu sei que foram bons porque quem passou comigo aqueles aniversários continua passando até hoje. Ênfase para Pipi, de quem eu orgulhosamente serei madrinha de casamento no final do ano, e Aninha, minha amiga expatriada para o além mar.  E mesmo que hoje mais distantes, não consigo não citar Dafne e Juju, amigonas daquela época e de quem eu ainda gosto muito, apesar de não ver mais. Eu lembro do meu aniversário de 16 anos, quando tomei meu primeiro porre. Depois tenho novamente um grande branco. Talvez o branco se deva àquele primeiro porre.  E talvez tudo isso se deva àquelas taçinhas de martini. Mas eu lembro de ter gostado de fazer 17 anos. E depois 18. Poder sair e entrar oficialmente nos lugares.

Meu primeiro aniversário comemorado na faculdade foi um dos vintes. Não lembro qual, mas fechamos o Aloha café com mais 3 colegas e fizemos uma festinha bem boa. Depois disso foram os aniversários no movimento estudantil. De novo branco total. Maldita taçinha de Martini.

Eu acho que os meus 25 outonos foram muito bons. E os verões, os invernos e as primaveras também. Se eu disser que não pesou nem um pouquinho nos ombros esse 1/4 de século, vou estar mentindo. Desde janeiro continuo obstinadamente digitando “24” na hora de entrar a idade no visor dos aparelhos na academia.

Descobri que tem gente que não faz resolução de ano novo, faz resolução de aniversário. Eu gosto muito de ano novo para abrir mão da minha simpatia clássica do dia 31: à meia noite, faço minhas promessas e jogo uma taça de champgne por cima do ombro direito, para sacramentar o ritual. Mas resolvi testar uma coisa nova: Vou instituir resoluções de 1/4 de século. Comecei nesse primeiro já. Quando deu meia noite de sábado, peguei uma taça de Champagne na hora do brinde dos noivos – estava no casamento da minha prima –  e pimba, virei por cima do ombro direito. Um tio meu viu, de longe. Achou esquisito, mas não falou nada. Voltei pra mesa da familia, como se nada tivesse acontecido.

Champagne derramada, acho que agora eu espero os próximos 25. Li que o outono é um momento de mudança, de olhar para trás, de medir erros e acertos. Pois muito bem. Tá tudo olhado, medido e anotado. Agora de novo só com 50. Depois com 75 e, quem sabe, com 100. Tenho vários nonagenários na familia, grandes chances de chegar até os 100. Haja equinócio.

Nota: Para deleite de vocês, meus conhecidos, eu tenho o meu aniversário de 3 anos filmado🙂 Qualquer dia desses a gente assiste…

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