Saúde na ZH em 18 de Março de 2010

Confiar é preciso!, por Décio Antônio Damin*

A medicina, arte milenar, usa o melhor para mitigar o sofrimento e, se possível, curar as doenças que afligem o homem. A sua prática deve se basear no princípio de confiança absoluta de que os dois atores, médico e paciente, estão despidos de quaisquer sentimentos egoístas e que as intenções sempre são as melhores. Quando um médico esquece esses pressupostos e viola a confiança que lhe foi depositada, seja no sentido de dedicar-se com o máximo empenho para ajudar, ou transgride as regras que lhe são impostas para resguardar a intimidade e o bem-estar físico ou psíquico do doente, um conjunto de deveres denominado Código de Ética se interpõe à sua atuação, tolhe-lhe o passo, relembrando os limites e impondo, quando for o caso, sanções que o façam pagar pelos erros cometidos. A medicina e a sua prática antecedem os códigos de ética. Hipócrates (460 a.C.), o Pai da Medicina, elaborou um conjunto de regras que estabelecia limites para a atuação do médico, antevendo a possibilidade de transgressões e exigências que ele poderia impor, em face de sua ascendência física e emocional, aos que dele necessitassem.

Hoje, a busca da solução rápida e a vasta gama de conhecimentos disponíveis a todos (o que é salutar!) possibilitam pôr em xeque diagnósticos e indicações terapêuticas. O médico tem perdido a aura de saber e de diferenciação moral incontestáveis com que era distinguido pelos que dele precisavam ou que no futuro viessem a precisar. Suas condutas e atitudes estão sob permanente vigilância, o que também é bom, que permite separar o trigo e o joio misturados nessa nobre profissão, assim como em quaisquer outras. Quando um médico comete uma falta indesculpável como a que tem sido noticiada, toda a classe, infelizmente, é atingida e perde mais um pouco da dignidade que procura, desesperadamente, conservar. Discutiu-se em um programa de rádio se a consulta, e o exame médico particularmente, devem ser acompanhados por uma terceira pessoa para garantir que dentro do consultório não ocorram situações que ponham em risco os pacientes e até, em certas circunstâncias, o próprio médico. Pasmem, 55% responderam que a consulta e o exame devem ser acompanhados!

Desvios comportamentais podem ocorrer em qualquer lugar, nas mais diferentes profissões e devem ser punidos. O médico, como ser humano, não é diferente e não merece ser especialmente vigiado. Se isso prevalecer como obrigação, estar-se-á quebrando o mais elementar princípio da efetividade da medicina, que é a confiança absoluta, e recíproca, que deve nortear a relação médico-paciente.

*MÉDICO

Descontrole na saúde*

Criada para agilizar e ordenar o atendimento de pacientes pelo SUS, a Central de Marcação de Consultas perdeu o controle dos pacientes que esperam por cirurgias, especialmente nas áreas de ortopedia, traumatologia e cirurgia vascular. Segundo um médico ouvido pelo Diário Gaúcho, esse descaso com os pacientes cria um exército de inválidos e provoca efeitos de ordem social e psicológica danosos para os segurados. Trata-se de um alerta preocupante, que precisa ser ouvido pelas autoridades da área da saúde.

Essa realidade dolorosa no atendimento à saúde de Porto Alegre revela, antes de qualquer coisa, a permanência de uma situação de falta de agilidade do sistema para responder a demandas que, especialmente em questões que envolvem doenças, normalmente são marcadas por urgência. A explicação para a inexistência de uma informação precisa sobre a fila dos segurados que buscam atendimento é de que a informatização ainda está incompleta. Até mesmo essa revelação confirma uma carência que, no fim da primeira década do século 21, é inaceitável na administração de um problema tão grave, que interessa a uma parcela majoritária da população da Capital.

Os números sobre os atendimentos realizados de janeiro de 2008 a dezembro de 2009 são expressivos e enfatizam a importância de atitudes objetivas para a solução das insuficiências na área da saúde. Nesse período de dois anos, foram realizadas 20,7 mil cirurgias pelo SUS nos hospitais da Capital e realizadas 878 mil atendimentos somente nas áreas de ortopedia e traumatologia. Trata-se de um processo gigantesco, que envolve recursos públicos importantes e que é fundamental para a própria conquista de padrões de qualidade de vida a que a população tem direito.

As autoridades não podem deixar de dar atenção prioritária a essa questão.

*EDITORIAL DE ZERO HORA

Nota: A categoria “Eu li: Saúde na ZH” é um Clipping. A publicação de artigos da zero hora no Blog não significa necessariamente apologia do seu conteúdo.

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