A irmã de Ana Bolena

A irmã de Ana Bolena

Conceito: 4

Gênero: Romance Histórico

Terminei de ler “A irmã de Ana Bolena”, livro que conta a história de Maria Bolena, a “outra garota bolena”, como diz o título original em inglês. Já faço a primeira crítica à tradução: Nada a ver substituir “The other Boleyn girl” por “A irmã de…”. As duas garotas Bolena chegaram a ser a “outra” em algum momento. A história do livro é justamente a disputa das duas irmãs por ser a garota bolena do centro da roda, e não “a outra”.

O livro é narrado em primeira pessoa, a partir da perspectiva da Maria Bolena, primeira amante do Rei Henrique VIII. A história é a velha conhecida nossa da escola: O Rei da Inglaterra quer porque quer um filho varão para sucedê-lo no trono; a esposa legítima só consegue ter uma menina, que posteriormente entrará para a história como a famosa Bloody Mary, conhecida por colocar os hereges no espeto; uma amante jovem, treinada nas artes francesas da sedução, é colocada no caminho do rei; o rei cai de amores e quer o divórcio; o papa acha divórcio coisa do diabo; o rei rompe com o papa e funda a igreja anglicana; a “prostituta” ilegítima não consegue dar à luz a nada melhor do que uma menina (simplesmente Elizabeth, a Rainha da Era de Ouro); o rei insatisfeito… vupt! manda decapitar a devassa Bolena e parte para o seu próximo casamento, em busca de uma mulher capaz de gerar um príncipe para a Inglaterra.

O livro é muito bom. Acho que é a melhor versão da história da Ana Bolena que eu conheco, especialmente porque a autora, segundo diz em seu site, não é dada a distorcer a História, aquela com “H” maiúsculo. Acho bacana isso. A história real é ótima, por que inventar?

Claro que nem tudo é factual, porque não há registro exato de muitas coisas (por exemplo, não se sabe ao certo a data de nascimento dos irmãos bolena, nem a idade em que foram amantes do Rei, nem se tem “DNA” dos filhos da Maria Bolena para jurar que são mesmo da linhagem dos Tudor) e narrar em primeira pessoa implica imaginar algumas coisas. Mas o livro é uma delícia. Quem gosta de ler romance histórico precisa ler.

O Livro deu origem a um filme, chamado “A outra”, com o Eric Bana (Henrique VIII), Natalie Portman (Ana Bolena) e Scarlett Johansson (Maria Bolena). Assisti o filme, achei muito bom, mas cheguei a conclusão de que o cinema nunca compra a história dos livros. O cinema compra o prestígio dos best-sellers. A vibe do filme é completamente diferente da do livro. A relação entre os personagens é completamente diferente. As duas irmãs se gostam sim, mas são abertamente rivais. O George Bolena é ambicioso, sabia muito bem que tinha que casar com a Jane Parker. E a Jane Parker é uma víbora, que morre de ciúmes das irmãs Bolena. Aquela cena dela consolando a Maria Bolena quando ela chega à Corte não tem nada a ver. E aquele estupro da Ana Bolena? E o homossexualismo do George Bolena? E o casamento escondido da Maria Bolena com o empregado do seu tio?

Sobre os atores, gosto do trio principal. Acho que a Natalie Portam e a Scartelett Johansson arrasaram. O Henrique VIII, eu particularmente prefiro o Jonathan Rhys Meyers, que faz o Rei na Série The Tudors. Mas achei que o Eric Bana convence também. De resto, prefiro todos os atores da Série The Tudors. Achei a Catarina de Aragão do filme péssima. Ela nunca ia se expor àquela briguinha com a Maria Bolena no começo do filme. E a Maria Doyle Kennedy, que faz a série é bem melhor no personagem.

De qualquer forma, recomendo o filme e o livro. O livro eu não empresto porque peguei na biblioteca da universidade🙂 mas o filme, se quiserem, tenho legendado no computador.

Para quem não conhece a série, recomendo mais que o filme. Aqui vai o link para baixar os episódios. A Quarta Temporada de “The Tudors” estréia em abril de 2010. Vai ser a última! Imperdível!

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5 respostas a A irmã de Ana Bolena

  1. Mariana diz:

    Eu já li esse livro e vi o filme. Apesar de achar interessante, até o onde eu sei, ela distorce muita a história sim. Em alguns pontos, até mais que a série The Tudors.

  2. Esse livro SÓ distorce a História!!!

  3. dsoares08 diz:

    Boa noite pessoal. Obrigada pelos comentários. Eu discordo. “Romance histórico” é por definição uma narrativa que mescla a ficção com a verdade, algo que foi criado (inventado, moldado, deformado, enfim, mentido se preferirem) a partir de algo que aconteceu. A autora se baseia em fontes históricas – biografias, documentos, visitas aos locais onde se passam os seus romances – e as cita no final de todos os seus romances, para que qualquer um que deseje possa consultá-las. Eu acho um tanto quanto presunçoso afirmar desta forma tao categórica que o livro distorce a historia. Segundo qual versão? Existem milhares de versões, para as quais há maior ou menor evidência. Se estivéssemos tentando entender a história, principalmente na perspectiva de compreender o nosso presente, acho que sim, o grau de evidência faz muita diferença. É claro que não foi o charme da Ana Bolena que tornou a Inglaterra protestante. Seria tão ingênuo crer nisso quanto é ingênuo achar que romances históricos são uma fonte segura para “estudar” a história. Até são, mas com atenção á uma serie de viézes. Acho entretanto que a autora é muito honesta com o seu público pois, apesar não precisar – já que ROMANCE É FICÇÃO – ela compartilha com os leitores o que há de fato histórico – ou no mínimo teoria acadêmica – por trás de seus livros. Além do mais, nunca tive conhecimento de nenhum historiador ou biógrafo citado na bibliografia dos livros de Phillippa Gregory que tenha dito que ela distorceu a SUA versão dos fatos. E mesmo que amanhã surja um, novamente: Romance é ficção. Ela tem liberdade para fazer isso.

    Por fim eu sustento que a autora não é dada a distorcer a história, como disse no post. Justamente porque ela não inventa datas, nem batalhas, nem casamentos – como a série The Tudors, que “fundiu” as irmãs de Henrique VIII em uma única personagem que se casa com o Rei de Portugal, coisa que NUNCA aconteceu com nenhuma das princesas representadas. Ela escolhe uma dada linha, que tem respaldo histórico e segue ela. É o caso de “A Rainha Branca” e “A Rainha Vermelha”. Em ambos os livros, a autora oferece uma versão para quem foi responsável pelo sumiço dos príncipes da torre. Ela segue a teoria dos historiadores que dizem que os tudor e seus aliados tinham mais motivos para tirar os filhos de Eduardo IV do caminho do que Ricardo III. E ai? Quem tem mais razão? Os historiadores modernos que pesam os interesses políticos dos envolvidos ou os historiadores e cronistas da Era Tudor, que pelo medo da forca jogam toda a culpa no colo do perdedor?

    Não há como saber. Há sim como ponderar qual versão tem mais evidência (tem mais chance de ser verdade do que a outra). Mas a autora tem direito de usar a que quiser.

    Abraços

  4. Gostei do seu comentário e é claro que romance é ficção, mas por estudar História Antiga e Medieval, aponto que há diversos aspectos da História que são distorcidos no livro… Inclusive o fato de fazer da Mary Bolena quase uma “santa” se comparada a Ana Bolena…
    Enfim, há níveis de distorção e eu, particularmente, achei os desse livro muito gritantes, mas é bom para o entretenimento. Gostei mais de um livro chamado O Diário de Ana Bolena que, apesar de fantasioso, mantém-se fiel a datas e a alguns personagens…
    Abraços!

  5. Fuckencio diz:

    Ótimo livro, apesar de distorcer bastante a história.
    Recomendo pra quem quiser ler.. eu li e gostei muito
    Até baixei The Tudors pra assistir

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