Rosane de Oliveira, no apagar das luzes.

Rosane de Oliveira, no apagar das luzes.

Há alguns dias eu li certo texto na coluna da Rosane de Oliveira, jornalista da “Página 10” da Zero Hora e meu espírito natalino me impediu de comentar no Blog. Mas eu não resisto, especialmente porque achei companheiros cybernéticos que também passaram mal.

A Pérola em questão, publicada no apagar das luzes do último ano da década de 2000, é a seguinte:

Difícil de Assimilar

Abertura da Página 10,  de 26 de Dezembro de 2009.

Quem se dispuser a estudar os recordes de avaliação negativa da governadora Yeda Crusius terá de começar tentando entender como é possível estar atrás de José Roberto Arruda (sem partido-DF), que frequenta as manchetes há vários dias por conta do envolvimento em um gigantesco esquema de corrupção fartamente documentado.

Yeda convive com denúncias contra seu governo desde 2007, mas nunca apareceram provas incontestáveis como essas do Distrito Federal. A governadora é citada por terceiros, mas nenhum diálogo comprometedor dela foi encontrado nas milhares de horas de gravações das operações Rodin e Solidária.

Uma hipótese para os péssimos números de Yeda é o rigor dos gaúchos na avaliação dos seus governantes, especialmente dos mais polêmicos. Olívio Dutra também amargou os últimos lugares do ranking no terceiro ano de governo – décima posição em julho e nona em dezembro de 2001–, mas sua nota não baixou de 4,8. Yeda tem nota 3,9 e 50% na soma dos conceitos ruim e péssimo. Outra hipótese é que em poucos Estados a oposição é tão implacável com quem está no poder como aqui.

O Datafolha não chegou a fazer a pesquisa em 2005, terceiro ano do governo de Germano Rigotto, que se elegeu com o discurso da pacificação do Estado. No início do segundo ano, ele tinha nota 6,6 e era o sexto entre 10.

Desde que assumiu o Piratini, Yeda nunca conseguiu sair dos últimos lugares. Tomou posse desgastada por ter proposto o aumento do ICMS, quebrando o compromisso de não aumentar impostos. Ao final do primeiro ano de governo, tentou de novo aumentar tributos e mergulhou em crise profunda com a Operação Rodin, que abateu secretários e desgastou a imagem do governo.

O estilo de Yeda, que trocou mais secretários até agora do que seus antecessores nos quatro anos de governo, contribuiu para o clima de instabilidade nas relações políticas. Isso se reflete na dificuldade de aprovar projetos como os que mandou para a Assembleia neste final de ano, amplamente rejeitados pelos sindicatos que representam os servidores envolvidos.

Não acho suficiente ler este texto apenas como mais uma evidência do compromisso político da Rosane de Oliveira e do seu veículo de imprensa com o “novo” jeito de governar.  A desolação da Rosane de Oliveira (está desolada, concordam? Isto é nítido, já no título) não é com o desempenho da Yeda, que ela consegue sim assimilar porque é tão ruim. Citando suas palavras: “Yeda convive com denúncias contra seu governo desde 2007”; “O estilo de Yeda (…) contribuiu para o clima de instabilidade nas relações políticas”.

A desolação da Rosane, que tampouco tem a ver com o “rigor dos gaúchos”, argumento “desculpa” para citar o Governo Olívio Dutra, está esclarecida lá no primeiro parágrafo. Vamos ler novamente:

“Quem se dispuser a estudar os recordes de avaliação negativa da governadora Yeda Crusius terá de começar tentando entender como é possível estar atrás de José Roberto Arruda (sem partido-DF), que frequenta as manchetes há vários dias por conta do envolvimento em um gigantesco esquema de corrupção fartamente documentado.”

Essa é a chave: “que frequenta as manchetes há vários dias .”

O que a Rosane não assimila é: Como é possível que todo o projeto midiático  da “Nova Yeda”,  “de bem com a vida” não tenha surtido efeito na opinião pública? Depois de todo o empenho da RBS em:

a) não cobrir a CPI da Corrupção;

b) ironizar as declarações do PSOL à favor do impeachment;

c) atacar o sindicato dos professores (“corporativistas”) diariamente, por meses à fio;

d) investir espaço (e credibilidade!) no que deve ser a coluna de política mais lida em todo o Rio Grande do Sul (Página 10)  pra fazer a defesa do Pacote de Maldades e do Banco Mundial;

e) participar da elaboração e da execução do plano de imagem da “nova fase da governadora” , ovacionada pelo Paulo Santana e arquitatada pelos marketeiros do PSDB;

Como é possível que tudo isso não tenha dado em nada?

Acho válida a análise de que a avaliação da Yeda é uma avaliação de imagem e não necessariamente uma avaliação do programa tucano para o Brasil e para o Rio Grande. A avaliação da Yeda, infelizmente, não é uma avaliação do PSDB, e por isto não cabe a ninguém ficar excessivamente feliz. Mas a avaliação da Yeda, e a Rosane sabe bem disso, é sim uma avalição do PIG* gaúcho. E isso, pelo menos, nós podemos comemorar: Pior nota do Brasil!

Recomendo: “Gaúcho, patologia temporária?”Blog do Agente 65

* PIG – Partido da Imprensa Golpista.

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