O Caso do Bolinho

O caso do bolinho

De Tatiana Belinky

O primeiro livro que eu li em toda a minha vida se chama “O caso do bolinho”. Eu estava na primeira ou segunda série do primeiro grau, ou seja com 6 ou 7 anos, e nós ganhamos  nosso primeiro cartão da biblioteca, no Colégio Centenário, uma escola evangélica onde eu estudei até a segunda-série, antes de me mudar pra Brasília. Do centenário eu lembro da fila pra subir pra sala no fim do recreio, que era organizada em ordem de altura, do mais baixinho pro mais alto (eu era a segunda!), de cantar o hino no pátio da escola toda sexta-feira no final da tarde, usando aqueles chapéus de soldado, feito com jornal, e do Caso do Bolinho! Eu lembro também dum colega, o Gabriel, que antecipou uns 10 anos a moda de usar bermudão. Ele ia pro colégio com as roupas do irmão mais velho.

Hoje me deu vontade de escrever sobre os livros da infância, que me fizeram gostar de ler, e pensei no Pedro Bandeira, que escreve aqueles livros juvenis, que você lê ali pela sétima série. Fui decrescendo, cheguei na série vagalume, “Tonico”, “Éramos Seis”, nas  histórias do cachorrinho samba e lembrei do Caso do Bolinho. É importante lembrar o primeiro livro que a gente lê! Não sei se é todo mundo que lembra.

Achei na internet a figura da capa do mesmíssimo livro que eu retirei lá na biblioteca do colégio e descobri que a autora é uma autora premiada, importante, que chegou até a trabalhar pra TV Tupi, escrevendo os roteiros da primeira versão do “Sítio do Pica-pau Amarelo” . O nome dela é Tatiana Belinky, uma Russa nascida em São Petesburgo, que veio para o Brasil em 1919. Fiquei pensando como esse livro contempla duas grande preferências minhas de hoje: a por “casos”, livros investigativos, de mistério, e a por pessoas Russas, especialmente dessa época ai em que ela foi embora de lá. E, claro, por bolinhos. Mas acho que essa preferência eu teria desenvolvido de qualquer maneira, hehehe.

“O caso do bolinho” é uma história de aventura, que narra a odisséia de um bolinho frito (frito? assado? assado!) desde a janela da vovó até a barriga de uma raposa.  O bolinho, cansado de esperar para esfriar na janela, resolveu rolar, e foi rolando da janela para a cadeira, da cadeira para a porta, da porta para a rua e logo, logo estava no quintal. No meio do caminho, ele encontrou uma lebre e um lobo. Nenhum deles foi páreo para o bolinho, muito safo, que mandou o que hoje seria “um rap” e deu a volta nos dois. Mas ai, veio a raposa…

– Bolinho, Bolinho, pra onde vai rolando? – perguntou a Raposa

– Pela estrada afora, como você está vendo.

– Bolinho, Bolinho, cante-me uma canção – pediu a Raposa. E o Bolinho cantou:

“Eu sou um Bolinho,

Redondo e fofinho,

De creme recheado,

Na manteiga assado,

Deixaram-me esfriando,

Mas eu fugi rolando!

O vô não me pegou,

A vó não me pegou,

A Lebre não me pegou,

O Lobo não me pegou,

Nem você, dona Raposinha,

Vai me pegar!”

E a Raposa disse então:

– Que bela canção, Bolinho! Pena que  eu sou dura de ouvido, não escuto muito bem. Lindo Bolinho, pula no meu focinho, fica mais pertinho, pra ouvir você direitinho!

O Bolinho pulou no focinho da Raposa, e a Raposa, nhoc!, papou o Bolinho!!!!

Tatiana Belinky merece meu primeiro post, com alto grau de deferência, na categoria dos melhores da infância.

Esta entrada foi publicada em Eu li quando criança. ligação permanente.

17 respostas a O Caso do Bolinho

  1. Denize diz:

    Muito bom! Muito mesmo!!! Hahahahaha! Vem cá, vc decorou o rap do bolinho ou achou na net???

    Outro dia eu comprei com o Gerson “O cachorrinho Samba na Bahia” que achamos numa feira de antiguidades e eu nem sabia que existia. Lemos juntos lá no Ibirapuera. Na capa o nome da autora estava como “Sra. Leandro Dupret”, acredita??? Ela escreveu o livro inspirada numa viagem que fez à Bahia, incluindo um relato bizarro de Canudos. Cara, quanto racismo! Tu não faz ideia. Depois descobri que ela, o marido e o Monteiro Lobato tinham uma editora e entendi tudo. Ah, descobri tb que ela escreveu “O cachorinho Samba na Rússia”. Tô procurando para comprar no Mercado Livre.

    Eu tb li muito Pedro Bandeira. Adoro. Os Karas. A marca de uma Lágrima. Foda demais. Outro dia entrei numa comunidade dele no orkut. Da Tatiana também tenho boas lembraças mas nesse estilo, preferia a Ana Maria Machado e seu Bisa Bia Bisa Bel.

    Pra finalizar, não posso esquecer de comentar sobre dois livros que me marcaram: Revolução em Mim, da Marcia Kupstas e o Alucinado Som de Tuba, do Frei Betto. Foram minhas primeiras leituras políticas aos 10, 11 anos. Muito marcantes.

    • dsoares08 diz:

      Eu achei na net o texto integral do caso do bolinho! Nunca mais achei que ia ler isso na vida! Eu preciso achar isso pra minha sobrinha, se for depender dos pais dela ela so vai ler livros técnicos de Direito hahaha! Olha ai o link pro texto completo do bolinho: http://www.contandohistoria.com/ocasodobolinho.htm

      Eu tava lendo, num PDF ai que agora nao consigo mais encontrar, que o Caso do Bolinho tem relação (influência talvez) de dois contos classicos, um do Ésopo e um dos Irmãos Grimm. E que o livro tenta dar uma lição de moral, pra ensinar as criancinhas que é perigoso se deixar levar pelos elogios dos espertalhões hehehe. Eu li isso e me lembrei dum livro de gente grande que eu quero MUITO adquirir, que é “Fadas no Divã – Psicanálise das histórias infantis”. Tu conhece? Tem uma resenha desse livro aqui nesse link http://www.tramaweb.com.br/cliente_ver.aspx?ClienteID=73&NoticiaID=2776 Eu acho que o livro é sério, porque a editora dele é a artmed! Eu já dei umas boas lidas nele esperando meu filme começar na saraiva mega store, que fica do lado do cinema lá no shopping aqui em caxias! Eu li a análise psicanalítica da Chapeuzinho Vermelho. Se voce vê o texto original voce cai pra tráz, é super pornográfico!

      Pedro Bandeira e o Cachorrinho Samba vão ser meus próximos posts! Esse cachorrinho samba na Rússia, de autoria da senhora leandro dupre deve ser algo einh?

      Essa Ana Maria Machado eu não conheço! Nem essa tatiana!

      Eu acho que o meu primeiro livro de política que eu li foi uma ficção, ali pela oitava série! Mas quando eu chegar na série vagalume, eu comento ele!

  2. Denize diz:

    Ah, tu não deu o conceito do livro!!!!

    • dsoares08 diz:

      Então, eu vou dar conceito só pros livros que eu to lendo ou outras categorias que eu criar depois! Essa ai, “Autores que são ‘o cara'” eu parto do pressuposto que são todos conceito 4, quase 5 hehehe

  3. babington diz:

    diiii

    essa história do bolinha tá num livro de contos populares russos bem bacaninha q o maneco me trouxe de cuba…

  4. dsoares08 diz:

    Eu queria saber qual é o Mistério do Post, “O Caso do Bolinho”. Desde que eu criei o Blog não teve um único dia SEQUER que esse post não tenha sido acessado pelo menos uma vez. E normalmente não é só uma vez, é umas cinco, seis vezes! Tipo, diariamente… Será que todo mundo leu o Caso do Bolinho quando era criança?

    • PRO HELENA diz:

      ESSE, SE NÃO É O MELHOR, É COM CERTEZA UM DOS MELHORES LIVROS INFANTIS!SOU PROFESSORA, E SOU PROVA QUE A CRIANÇADA AMA DE PAIXÃO ESSA HISTÓRIA!!!E NÓS PROFESSORES TAMBÉM!!!PARABÉNS PELA POSTAGEM.

    • Zete Santos, educadora infantil diz:

      Eu ainda leio para meus alunos, algumas vezes faço a contação da história usando uma máscara de raposa (como se a raposa contasse quando ela comeu o bolinho) e utilizo também uma bola com carinha que representa o bolinho, fantoches que são o vô e a vó e lebre e lobo de pelúcia. As crianças adoram a música.

  5. dsoares08 diz:

    Olá Prof. Helena!
    Muito Obrigada pelo seu comentário!
    O Caso do Bolinho é bom mesmo! Não sabia que as crianças ainda liam, agora já posso dar ele de presente pra minha sobrinha quando ela aprender a ler sem risco de estar muito fora de moda!
    Abraços!

  6. dsoares08 diz:

    Sério, mesmo, qual é o mistério do post o caso do bolinho? TODO DIA tem alguém que visualiza esse post! todo mundo leu na infância???

  7. Isabel diz:

    Sou Professora de Educação Infantil…. As crianças AMAM ESSE LIVRO (e eu tb!)

  8. dsoares08 diz:

    Oi professora Isabel. O bolinho também o maior sucesso do meu blog. É o post mais visualizado desde que eu criei o blog quase um ano atrás. 491 visualizações desde então. Acho que os “grandões” também gostam!;-)

  9. Bruno Santos diz:

    Me chamam de Bolinho desde 2007, nem sabia da existencia desse livro…
    que engraçado…

  10. Rosilene diz:

    amei o texto pois estou trabalhando com projeto de leitura e escolhi essa autora para trabalhar com poesias e nunca tinnha visto este texto. Obrigado.

  11. Simone diz:

    Linda esta historia eu fiz uma sequencia didática com esta literatura de Tatiana Belinky onde esta sendo executado com alunos do 4º ano do ensino fundamental e com crianças de 5 anos da educação infantil onde esta sendo um trabalho conjunto com os dois grupos onde esta havendo uma troca de experiencia entre os alunos maravilhosa aceito sugestões dos colegas e principalmente da autora que e maravilhosa.Beijos!!!

    • dsoares08 diz:

      Mesmo sem escrever no blog há um bom
      Tempo ainda fico encantada em como as pessoas curtem a história do bolinho! Sucesso entre as profs! Espero que os alunos de vcs se tornem avisos leitores no futuro! Comigo deu certo! Beijocas

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