Os Homens que não amavam as mulheres

Os Homens que não amavam as mulheres

Conceito: 4

Gênero: Suspense investigativo.

Originalmente, eu não queria ter comprado este livro. Fui de caso pensado comprar “O mistério do Rei James”, mas resolvi tomar um café para matar tempo na livraria, li a orelha do livro e mudei de idéia.

Os Homens que não amavam as mulheres é um dos três livros que o Stieg Larsson escreveu antes de morrer, de infarto fulminante em 2004. Ele nem chegou a ver o sucesso dos livros. Como ele mesmo disse, entregou os livros de uma vez só porque “estava se divertindo muito escrevendo”, então não havia porque ficar esperando um ser lançado para depois se debruçar sobre o outro. A grande pena também é que o plano original era escrever 10 livros. Infelizmente, o estilo de vida pesou (60 cigarros/dia, péssimos horários, muitos empregos) e “Millenium” virou uma trilogia. Vi no site que existe um quarto livro, inacabado, deixado no lap top dele antes de morrer. Mas provavelmente nunca será publicado. Se eles contratassem um “ghostwritter” hehehe…

Sumariamente, a história trata de um jornalista, evidente alter-ego do Stieg Larsson, que trabalha para uma revista chamada “Millenium”, daí o nome da trilogia, que é convidado por um industrial muito rico para investigar o desparecimento da sobrinha dele, Harriet Vanger, 40 anos atrás. Como ele diz no livro, o desaparecimento da Harriet Vanger é a “versão insular do mistério do quarto fechado”. Ela desapareceu em uma ilha, cuja única comunicação com o continente se dava através de uma ponte que estava interditada por causa de um acidente. No dia do desaparecimento, estava acontecendo uma reunião de família, como acontecia regularmente, para se tratar de negócios, e por isto o milionário acredita que alguém da família vanger, um verdadeiro ninho de cobras, assassinou a sobrinha favorita dele.  Assim, o jornalista, Mikael Blomkvist, é contratado com o pretexto de escrever uma biografia da família vanger, mas na realidade a sua missão é achar o assassino, deste “assassinato sem cadáver”.

O Stieg Larsson era uma pessoa de esquerda, não sei se comunista como dizem nos sites que eu encontrei, mas ele também tinha a sua “millenium”, uma revista anti-fascista chamada “Expo”. A temática principal da trilogia millenium é a violência contra as mulheres. Nesse primeiro livro o autor usa também dados de outro livro, este de não ficção que ele escreveu, chamado “O extremismo de direita”, onde ele traça um mapa dos grupos fascistas da suécia. Há então (nao compromete o livro contar isso, para quem não leu…) pessoas da família vanger com passado nazista e isto tem relação com a desaparecimento da Harriet.

Ainda que o Mikael Blonkvist seja o “super-blonkvist”, o herói com todas as características de herói do livro, a melhor personagem do Stieg Larsson é uma hacker  sociopata, de compleição anoréxica, chamada Lisbeth Salander. Diferente de todas as “heroinas” que existem por ai, sempre com uma bomba de gás lacrimogênio e um martelo na bolsa e dotada de uma “ética seletiva”, que a permite ser cruel ou indiferente (nunca gentil) com quem “merece”, a Lisbeth vai ajudar o super-blonkvist a resolver o caso e nos próximos dois livros do autor vai passar a ser o centro da história, como queria desde o princípio o Stieg Larsson. Na realidade “Os homens que não amavam as mulheres” é um título usado em português, no Brasil e em Portugal. É também o nome do Filme em Sueco, o que me parece adequado, porque esta frase é usada no livro e tem mais a ver com esta história. Mas o título original do livro em sueco (e em inglês) é “A menina da tatuagem de dragão”, em referência à tatuagem que a Lisbeth tem nas costas.

Já coloquei aqui na imagem a foto do segundo livro, “A menina que brincava com fogo”. Eu gosto do titulo em espanhol “A menina que sonhava com um fósforo e um galão de gasolina”. Mas esse fica para depois porque ainda faltam 150 páginas!


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3 respostas a Os Homens que não amavam as mulheres

  1. Denize diz:

    Como vc descobriu esses livros? Ficou pesquisando por autores de esquerda que escrevem ficção???

  2. dsoares08 diz:

    Não, entrei na livraria e caiu na minha mão. Mas realmente, “Escritores de esquerda que escrevem ficção” é um bom objeto de pesquisa no doctor google. Merece um post mesmo.

  3. Pingback: A Rainha do Castelo de Ar « Dois pontos: Travessão.

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