O Fantasma

O fantasma

Conceito: 4.

Gênero: Suspense com política.

O Fantasma é baita livro. Extremamente bem escrito, muito bom de ler, foi devorado em 2 dias e meio, com tristeza porque ia acabar a qualquer momento, mas impossível de parar de ler. Para entender a história, vale saber quem é o Robert Harris. O Robert Harris é um jornalista inglês, que trabalhou pra BBC, emissora da qual foi comentarista político. Ele escreveu poucos livros, mas um deles virou filme famoso. Foi o “Enigma”, que é sobre a segunda guerra mundial. A trama toda do “Enigma” é em torno do exercito britânico tentando quebrar o código da “enigma”, nova máquina de criptografia dos alemães para descobrir as coordenadas de localização e etc dos submarinos nazistas. Bom, afora isso, o Robert Harris era simpatizante do “New Labour”, ala do Partido Trabalhista Britânico, que deu toda aquela nova cara “Tony Blair” pro Partido. O livro então trata de um cara chamado Adan Lang, que é nada mais nada menos que o ex-primeiro ministro britânico. Ou seja, o cara é o Tony Blair. Ele deixa o governo nas mesmas circustâncias que o Tony Blair e esteve envolvido na “Guerra contra o Terror”, aliado aos EUA, da mesma forma que o Tony Blair. O livro é a história de um “Ghost Writter”, por isso “O fantasma”, que é um cara que escreve “Auto-biografias”.  E é isso, as “auto-biografias” não têm nada de auto: Ele, o fantasma, escreve o livro, a partir de pesquisa e entrevistas com o famoso em questão, e entrega a obra e a autoria completa dela para o “auto-biografado”. Como dizem no livro, os ghost writters normalmente não são nem convidados para as festas de lançamento, nem citados em créditos nenhum. Não existem. Eu não sabia que isso existia, aliás. Eu sempre imaginei mesmo que esses livros passassem por um trabalho pesado de revisão, mas eu imaginava, romanticamente, astros de rock, atletas e políticos com a bunda sentada na cadeira escrevendo no mínimo a maior parte dos seus próprios livros. Mas enfim. Voltando: Esse Ghost Writter é contratado, então, para escrever a auto-biografia do Adam Lang e tem que ser rápido, porque logo logo ele passará a ser, como todo ex-político, “notícia velha”, o que prejudicará as vendas. É um momento propício também porque começam a estourar denúncias na mídia de que ele teve participação em ordens de tortura praticadas pelo exercito americano, e que envolveu soldados britânicos. É editorialmente um bom momento, ainda que política e pessoalmente pro Adam Lang seja um péssimo momento. A história então começa na inglaterra, mas logo logo se desloca pros EUA, porque o Adam Lang  está hospedado na casa de verão do dono da Editora que vai lançar o livro. Só que é inverno, então tem todo aquele clima cinza, deserto e desolador na ilha. Eu adoro esses climas assim. Maior “atmosfera”. Bueno, não vou adentrar muito na história. O detalhe do livro é que o autor rachou, na vida real com o Tony Blair. Então ele não chega a ser um fã. No livro ele bate muito no fato do ex-primeiro ministro ter ido se asilar nos EUA, após a renuncia, para fazer palestras e etc, como se o “porto seguro”, a “casa” dele, ou “quem manda nele mesmo”, fosse os EUA.  Expõe o ex-primeiro ministro como um “ator”, um cara que “lê scripts”.  Também mostra a esposa do Adam Lang como “a pessoa” que pensa de fato dentro do casal.

A história é muito bem contada e o estilo é impecável. Por exemplo, o livro é em primeira pessoa e você passa da primeira até a última página sem saber o nome do personagem principal. Por que? Porque ele é um fantasma! Ele nunca aparece nos livros que ele escreve, e mesmo nesse que ele segue narrando em próprio punho ninguém pronuncia o nome dele nenhuma vez! .  A questão do ghost writter é muito interessante, o tempo todo, com direito à citações do manual de Ghostwritting e tudo. Na realidade, o Robert Harris deu uma declaração dizendo que o Tony Blair tinha tido um papel de “ghost writter” do Bush, na guerra contra o terror, argumentando em favor da invasão do Iraque melhor que o próprio presidente americano. Essa foi a grande motivação dele de escrever o livro nesse formato. E funcionou muito.

O final é super surpreendente. Nota máxima pro Fantasma. Eu li na internet que ia virar filme, nao sei se já virou ou se desistiram. Se virar filme, vai ser filmão.

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